segunda-feira, 29 de junho de 2015

Por que Deus não "nasce" junto nas cabeças das pessoas?

Título difícil este. Dos mais de trinta artigos que escrevi sobre este tema, o Relativismo Religioso, inclusive relacionando com um termo novo, a Neurorreligação, este foi o mais complicado de se colocar um nome.

Nós começamos a ter consciência do mundo e de nós mesmos por volta dos quatro anos de idade; uns depois, outros antes, mas, na média, é nesta idade.

Me lembro de duas casas em que moramos, eu e a minha família, em Guarujá, São Paulo. Havia meus pais e os meus irmãos também. Alguns vizinhos, amigos, carros, praias, etc., e, eu! Sim, meu corpo, um pouco de lembranças de roupas e também foi quando comecei a sentir a minha presença em fatos comigo e com as outras pessoas. Mas não havia nenhuma ideia sequer de Deus. De nenhum valor religioso da Igreja Cristã, Católica, a qual passei a pertencer devido ao meu meio ambiente social, e, grave este conceito. Por isto o título deste artigo foi difícil para mim: nada estava na minha mente relativo a qualquer religião ou valor religioso...

Por volta dos seis anos percebi e imaginava os valores religiosos que os adultos comentavam entre eles e passavam para mim, de maneira simplificada, pois eu era muito criança. Uma árvore de Natal representando o nascimento de um homem muito bom nascido bem antes de mim; um local maravilhoso em tamanho e pinturas, presenciado por mim devido aos meus pais me acompanhando que era a igreja principal da cidade, amigos me falando de Deus como alguém de muito poder que criou tudo na natureza, esta ainda tão  pequena pois era apenas o quintal de casa.

Por tudo isto eu disse que o título deste artigo foi difícil de criar. Nenhum valor religioso da Igreja Católica estava em minha cabeça quando criança. Mesmo o maior deles: Deus. Não havia indício de nada, nenhum conceito ou ideia de Deus.
E por quê? Porque eu tive que ser ensinado!

Será que o nome certo para este artigo seria “Por que os conceitos sobre Deus não existiam em nossas cabeças antes de nos ensinarem?”. Ou “Por que Deus não estava presente naturalmente em nossas cabeças quando éramos crianças?”. E por aí vai...

Bem que este artigo poderia ser uma introdução a um outro meu de nome “Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro” - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2017/04/neurociencia-e-como-se-formam-os.html. Nele eu digo que informações sobre uma religião são convertidas em valores quando elas se combinam com sentimentos. Quando aquelas informações estiverem intimamente relacionadas com sentimentos.

Por enquanto eu falei no Deus cristão, mas e nas outras religiões onde os deuses são diferentes, com valores diferentes? Por exemplo, como seria a situação de crianças em outro país, como a Índia, por exemplo? Eles são na maioria hindus, praticantes do hinduísmo, politeístas, e não acreditam no Deus cristão como os cristãos não acreditam nos muitos deuses deles que também não nascem na cabeça das crianças… Tudo é relativo.

O ser humano nasce com a mente limpa de qualquer informação e, consequentemente, valores religiosos. O fato de termos que ensinar - e nós também fomos ensinados - demonstra mais uma das faces do Relativismo Religioso. Ensina-se, surgem os valores religiosos e estes passam a serem considerados absolutos para as pessoas, mas, na realidade, cada povo acaba por acreditar em valores diferentes. Qual povo estará certo? Nenhum porque os valores não são absolutos e sim relativos.


Nota: recomendo a leitura de outro artigo meu, “O paradoxo dos gêmeos religiosos” - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2008/12/o-paradoxo-dos-gemeos-religiosos.html