sábado, 19 de abril de 2014

Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos

Quando uma pessoa diz possuir fé, pode acreditar que ela se refere, antes de tudo, ao Deus cristão. Sou brasileiro, escrevo na língua portuguesa do Brasil, meu país, onde a grande maioria das pessoas, quase 90%,¹ são cristãs, e, outras, com menos adeptos, acreditam e/ou aceitam Deus como parte de suas próprias crenças, como, por exemplo, a Umbanda. Então, é evidente para você, possível brasileiro, ou mesmo uma pessoa de outro país ocidental, que a primeira frase acima é até inútil em se dizer. Fala-se em fé, fala-se no Deus cristão. E sabe a razão? Devido ao absolutismo religioso presente no meio ambiente social das pessoas.

Escrevo sobre o oposto ao absolutismo, o relativismo, sendo que este primeiro leva qualquer de seu seguidor a, se for perguntado se possui fé, dizer sobre o (s) deus (es) da própria religião, das próprias crenças religiosas. Os hindus ao grande número de deuses como Brahma, Vishnu, Shiva, etc., os islâmicos ao poderoso Alá, e assim por diante.

Esta é a fé que existe, "por definição", em cada país, para cada povo, etc., mas, não a única que coloco em meus artigos. A "outra" é isenta de religião ou crenças porque me refiro à nossa capacidade natural, que nasce conosco, onde, conforme os valores religiosos vão se formando na mente das pessoas,²  pela influência do meio, elas direcionam suas energias ao (s) ente (s) divino (s) e crenças aprendidas junto a ele. É como pensar na fé como uma extenção do acreditar: primeiro você acredita nos valores religiosos. É um sentimento. Depois você passa a, dizendo de forma prática, dar crédito, confiar, ter convicção, orar por um ente divino ou mais (se a religião da pessoa for politeísta), orar pelos poderes associados a essas crenças, etc.


Assim, em todas as épocas e lugares, seres humanos criaram estórias, inventaram crenças, dogmas, tentaram explicar muitos fatos naturais ou do cotidiano com ideias sobrenaturais, etc., em que os conjuntos delas se tornaram seitas e/ou religiões. Veja então que a fé é um sentimento em cima de conceitos criados (3), abstratos, relativos a cada povo, arraigados na mente das pessoas desde quando crianças.

E aqui abro um parênteses: só agora temos a capacidade de vermos o cérebro em detalhes; a neurociência está mostrando que tudo aquilo que o ser humano atribuía ao espiritual, está, aos poucos, se revelando como pura modificação da matéria e energia comuns (quando as pessoas praticam assiduamente a religião, a meditação e/ou as terapias), ou seja, no cérebro, mesmo elas acreditando em um sem número de crenças. Essas crenças são apenas algo do imaginário (passadas às pessoas desde crianças) em que elas conseguem (todos conseguimos) colocar uma boa dose de fé e acreditar e, com muito esforço mental, melhorar sintomas, doenças, etc.

E a história vai além porque costumo dizer que, se alguém não possui fé em crenças religiosas, seitas, etc., ela terá e tem a capacidade inata de acreditar em si mesma, outro grande sentimento em que eu cito em diversos artigos.

Você verá nos meus textos as minhas citações sobre a fé e até um artigo inteiro denominado "O acreditar e a fé como vantagens evolutivas" (4) me referindo, simplificadamente, à frase "o que é absoluto no ser humano é o poder de ter fé e acreditar". Esta fé a que me refiro já é aquela mencionada no primeiro parágrafo. Mesmo eu com a minha cultura e cultura científica fui traído por mim mesmo devido a minha formação católica desde criança. Não separei claramente no início dos meus artigos estas distinções sobre o acreditar e a fé. Neles essa separação flui aos poucos, indo do acreditar como um sentimento bruto a ser lapidado pelo meio ambiente, para a  fé das pessoas já condicionadas, ensinadas sobre as crenças religiosas locais, tornando-se um sentimento muito poderoso.

Certa vez um jovem, ao ler alguns artigos meus, disse que não possuía fé, não acreditava em nada, e, que por isto, meus argumentos e textos estariam errados porque ele era diferente, onde as minhas ideias não seriam válidas. Respondi o seguinte: "mas você acredita em si próprio, sentimento que está ligado à motivação para viver, ter uma vida digna, etc.  Você faz parte de uma pequena minoria que não faz diferença junto à grande maioria das pessoas que acreditam e têm fé no sobrenatural". Nesses assuntos importa o que acontece com a maioria das pessoas e não às exceções. A mente da grande maioria de pessoas, considerando-se também em todas as épocas da história da humanidade no planeta, possuem e, respectivamente, possuíam mecanismos cerebrais levando-os a ter sentimentos, incluindo o acreditar e a fé. O acreditar que, pelo absolutismo religioso, leva as pessoas a terem fé no que é transmitido por ele desde a infância delas.



Notas:

1 - Site da Rede Record. Disponível em: (infelizmente já fora da internet) . Acesso em: 12-04-2014.

2 - Argos Arruda Pinto. Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro. Disponível em: <  
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2017/04/neurociencia-e-como-se-formam-os.html >. Acesso em: 18-04-2017.

3 - E portanto relativos, nada tendo de absoluto, falsos

4 - O acreditar e a fé como vantagens evolutivas. Disponível em: http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/2008/02/o-acreditar-e-f-como-vantagens.html







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