terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O Relativismo Religioso - Como eu o Vejo sendo uma forte evidência de que Deus não existe

“Em uma comunidade há milhares de anos atrás havia um sábio. Não era irmão, filho ou parente do líder, mas este o tinha sempre ao seu lado pois precisava da sabedoria do velho homem que conhecia as pessoas e a região onde moravam como ninguém: tempestades, as épocas de frio intenso, como ensinar aos mais jovens sobre conviver com as pessoas da comunidade, como apaziguar conflitos, etc.

O sábio falava sobre revelações que tivera muitos anos atrás a respeito de algo perturbador presente na grande maioria do povo dali: de onde viera tudo o que os cercavam? Rios, florestas, lagos e… eles próprios! Dos pais, avós, mas, quem  “surgiu” antes, os primeiros? E por que morriam? Por que não voltavam?

Dezenas, centenas de perguntas permeavam suas imaginações e isto os deixavam inquietos a ponto de ameaçarem a vida do sábio, do líder e, o que seria pior, a estabilidade da própria comunidade.

O velho homem, por sua vez, acalmava a todos devido às suas revelações onde um ente, algo muito diferente deles em forma, com muito poder, criou tudo à volta deles. Do chão ao céu, das águas às estrelas, para depois brilhar intensamente e se afastar  e vir a ser o astro que aparecia todos os dias a observá-los de uma distância que não conseguiriam alcançá-lo. Controlava as chuvas, o calor e o frio, enchentes e seca, etc. A natureza era dele. E sobre a vida de todos, o poder desse ente era total: determinava quem nasceria, morreria, salvaria de doenças ou não.  

Fora batizado de Creti por ele mesmo porque não dizia palavra alguma, apenas aparecia em sua imaginação e, para se referir a ele em suas histórias, o chamaria assim.

Existiam entidades divinas menores auxiliadores de Creti. Ora fariam uma ponte de comunicação entre ele e os homens, ora estariam à presença dos enfermos, ora à presença de reçém-nascidos, confortariam a todos os desvalidos; eram, enfim, servos às ordens do seu líder.

E Creti através do seu imenso poder de incitar a imaginação do sábio, passava a ele ensinamentos que serviam a toda a comunidade; ensinamentos como não praticarem o adultério, respeitar os mais idosos, viver em paz com a família, etc. Eram regras, leis, que o sábio fez questão de escrevê-las em papiros para todos terem acesso, e, mais: alguns cantos e orações de adoração a Creti faziam parte do conjunto de ensinamentos onde o sábio era o canal por onde tudo chegava às pessoas daquele povo.

Os costumes de pôr em prática esses ensinamentos eram benéficos a todos; uns mais, outros não, mas, proporcionavam esperanças àquela aldeia, sendo uma luz na vida de muitos. Confiança no velho homem, dedicação aos ensinamentos, etc., formavam um corpo sólido para a paz interior e de convivência daqueles homens e mulheres.

E havia discípulos onde todos esses ensinamentos passariam de pai para filho em uma continuidade sem fim. Havia homens com ideias contrarias mas por ter uma ótima oratória, ser convincente e estar ao lado do líder, os conhecimentos do sábio perpetuariam enquanto aquele povo se desenvolvesse, e, tornando-se uma civilização poderosa, influenciaria muitas outras, próximas ou longínquas. Haveria modificações nas escrituras, nas orações, etc., mas as ideias principais do velho homem se perpetuariam.”

Descrevo o surgimento de uma religião fictícia onde o leitor pode achar que faltam detalhes ou que não concorda com algo, mas disse em termos gerais e, tenho certeza, que o mesmo leitor, entenderá que é assim mesmo uma possível criação de algo dessa natureza. Para simplificar utilizei o monoteísmo embora a maioria das religiões até hoje foram e são politeístas.

Mas, digamos, que por questões várias, incluindo desejos de ver a comunidade bem, as pessoas mais felizes, experimentando o poder de controle e/ou influência, o sábio estivera mentindo todo o tempo sobre o estabelecimento dessas crenças. Com capacidade superior, sensibilidade, sabedoria, ele inventou o que seria o começo de uma religião obtendo mais poder na comunidade. Eu pergunto: em cima dessas crenças, alguém, se esforçando continuamente em concentração nas orações, cantos e rituais, não poderia melhorar a própria qualidade de vida, mexendo com o cérebro de maneira positiva? Afinal essa pessoa acredita e coloca muita fé no que sabe.

Por outro lado o sábio, acreditando e tendo fé, tinha certeza que tudo que passou para aquele povo era realmente a realidade revelada a ele por Creti. Ainda assim as práticas religiosas seriam benéficas a quem seguisse com determinação os ensinamentos.

Temos então duas situações. Na primeira, os valores religiosos das pessoas são falsos mas elas não sabem e acreditam no que realizam. Aqui acontece algo curioso: a carga emocional colocada nesses valores, fará que alguém, ao se esforçar continuamente em concentração nas orações, cantos e rituais, etc., poderia melhorar a própria qualidade de vida, mexendo com o cérebro de maneira positiva. Afinal estou falando de uma carga emocional muito grande.

Como posso afirmar algo assim? O Relativismo Religioso, como eu coloco neste blog.

Veja, atualmente existem mais de dez mil religiões¹, a maioria politeístas, mostrando que gente do mundo todo, sempre rezam, praticam rituais diferentes, adoram deuses diferentes, etc., e conseguem ajuda, a chamada ajuda  “espiritual”, necessária e suficiente a um bem estar, um modo de se ajudarem em seus problemas.

Mas qual religião é a correta? Cada religião se diz absoluta, onde as outras são pagãs, erradas. Mas se são erradas por que então também funcionam para os seus adeptos?  

Existem evidências, provas, que terapias e meditações, atuam no funcionamento de  áreas do cérebro, modificando estruturas e/ou no próprio modo como como funcionam, como eu digo nos meus artigos “A meditação como neuroreligação”² e “A psicoterapia como neuroreligação”.³ Por outro lado, em outro artigo, “Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro”,4 descrevo a formação dos valores religiosos onde não é difícil entendê-los como algo oriundo da educação e do meio social-religioso de cada um. Eu digo: "a partir da infância uma criança terá os seus sentimentos 'canalizados' a acreditarem nos valores religiosos. Valores passados pelos pais, amigos, parentes, a religião local, as escolas, etc., enfim, seu meio ambiente social”. E um valor é um conceito com sentimentos. Como um só exemplo,  a ofensa nas crenças das pessoas é algo forte, muito negativo, pois envolve sentimentos e emoções muito poderosos estabelecidos na cabeça delas desde crianças.   

É possível sim que práticas religiosas, fundamentadas em valores religiosos diferentes, levem as pessoas a uma melhora do bem estar. Mesmo sendo valores criados, imaginados como verdadeiros e absolutos, e, é aqui o ponto crucial do que escrevo: não é necessário que os valores existam no sentido de que podemos prová-los cientificamente, que existam realmente ; basta acreditar, colocar fé.

Utilizar o cérebro, evocando valores que não sejam reais mas que suscitam poderosos sentimentos e emoções, são uma terapia para o ser humano, modificam áreas e estruturas cerebrais.

Na segunda situação, o próprio sábio acha que são verdades tudo aquilo passado por ele através de Creti e o próprio Creti. Na realidade ele imaginou, teve insights, mas fora da cabeça dele, da inteligência, sensibilidade, etc., e, tornando-se valores, passou a acreditar como coisas absolutas, passando adiante às pessoas. Morreria por esses valores.

Aqui também acontece o mesmo como no parágrafo anterior ao de cima.

Se o sábio foi um mentiroso ou se agiu corretamente, o efeito da prática da religião que ele formulou será o mesmo para todos.

As religiões se dizem absolutas, com suas verdades sendo realmente corretas mas o que existe por aí é uma grande relatividade, por que, então, qual será a correta? E como se sai desta situação? O que existe de absoluto mesmo é o fato do ser humano possuir a capacidade de acreditar e ter fé em valores criados em todas as partes do mundo e em todas as épocas, pelo funcionamento cerebral, visando a sobrevivência da espécie. E para tanto deixo uma lista de artigos que escrevi a respeito:


1 - "O acreditar e a fé como vantagens evolutivas" - http://finalizacaoargos.blogspot.com.br


2 - "O meio ambiente social na formação das crenças religiosas" - http://meamsofocrre.blogspot.com.br/


3 - "Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos" - 

4 - "O surgimento de uma religião como uma necessidade humana" - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2008/01/o-surgimento-de-uma-religio-como-uma_11.html








Notas:


1 - GOSPELPRIME - NOTÍCIAS CRISTÃS ATUALIZADAS. Disponível em:


2 - “A meditação como neurorreligação”. Disponível em: http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-meditacao-como-neurorreligacao.html . Acesso em: 19/04/2018


3 - “A psicoterapia como neurorreligação”. Disponível em:


4 - “Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro”. Disponível em:

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O cérebro isento de alma


Digamos que você possua a capacidade de criar… um ser humano! Sim, humano, com toda a racionalidade, consciência, autoconsciência, emoções, sentimentos, caráter e/ou personalidade que ele (a) poderá vir a ter, etc. E olhe que este “etc.” vai longe: abstração, dedução, indução, imaginação, lógica, intuição, linguagem, memória, etc.

Posso dizer que você é um deus e terá algumas opções na criação desse ser:

1 - “Colocará” uma alma ou espírito nele a realizar todas as funções, propriedades, potenciais do primeiro parágrafo?

2 - Criará um cérebro igual ao dos humanos para essa pessoa, e, para auxiliá-lo, também colocará uma alma?

3 - Bastaria só um cérebro, o sistema mais complexo que conhecemos, a realizar todas as funções descritas mais acima?

Se você é um deus, para que colocar um sistema tão complexo se uma alma desse conta do serviço da casa? Afinal a alma não é, em qualquer religião, algo abaixo da matéria e energia comuns em termos de potencial.

Assim o item três pode ser descartado e também o dois, pois ela não precisa ser rebaixada a simples apoio da energia e matéria comuns.

O item um seria o mais simples e prático. Você certamente o escolheria.

Dentro do nosso crânio, com o avanço da ciência, notaríamos a presença talvez de matéria na forma de carne, ou mesmo ossos e  teríamos mesmo assim tudo o que está escrito no primeiro parágrafo, ou seja, seríamos do jeito que somos.

Mas temos um mecanismo biológico, físico-químico, que é o sistema mais avançado existente dentro desse crânio. E o mais importante: a cada ano a Neurociência comprova fatos relacionados ou iguais aos do primeiro parágrafo.

Estaremos então no item dois das opções no caso de ter sido Deus a quem nos criou? A alma fora rebaixada a coadjuvante das propriedades desse poderoso sistema ou, se quiser, ela faria o papel principal mas, de qualquer maneira, teria que estar ajustada ao cérebro. Onde estaria aí a onisciência e a onipotência de Deus? Ou dos outros deuses das outras religiões?

Na minha opinião o item três continua o correto e a Ciência nada mais faz do que tentar descobrir os mistérios do universo e o cérebro faz parte de tudo isso.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Alma ou substâncias químicas?

Uma pessoa está com depressão; sentimentos autodestrutivos podem levá-la ao suicídio e um antidepressivo faz com que ela retome a alegria de viver. Agora, com energia, vitalidade, se sente feliz e recomeça a própria vida quase perdida pelo lado escuro onde essa doença se abateu sobre ela. Onde está a alma ou um espírito beneficiando essa pobre pessoa? Podemos pensar em três possíveis fatos:

1 - O remédio não fez efeito nenhum; a alma foi o que restaurou os sentimentos positivos após um certo tempo;

2 - O remédio ajudou a alma a recuperar os sentimentos positivos  “perdidos” em sua mente;

3 - Não existe alma e o remédio efetuou o trabalho sozinho.

Pessoas morrem de inanição se a depressão tirar o apetite e elas não procurarem um médico. O próprio estado debilitado do indivíduo poderá ceder lugar a doenças infecciosas. Por que o espírito demoraria a agir? Falta de fé? Mas se nem a pessoa possui vontade, energia, para orar ou algo assim… O primeiro item é descartado.

Se um remédio, junto ou não com outros, ajudaram o espírito na recuperação, então algo está errado. O médico receita um medicamento esperando que a alma faça o resto? Que poder divino tem ela? Isto faz voltarmos praticamente ao primeiro item. Também o segundo item é descartado.

Resta-nos o terceiro item que me parece mais razoável. Se o nosso cérebro fosse influenciado por uma alma, ela não seria absoluta em qualquer fenômeno psíquico, não se precisando de nenhum remédio como está escrito nos itens “1” e “2”? 
E o que menos se sabe em nossa sociedade é que a depressão é uma doença, tratável com medicamentos. Alguns dizem que antidepressivos é remédio para loucos, em profunda ignorância com o que existe por aí em termos de informações em medicina. Outros chegam a dizer que são porcarias e usam drogas e/ou álcool para amenizarem os sintomas. Grande ignorância.

Em meu artigo “A base material dos sentimentos” (http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html), na revista eletrônica Cérebro&Mente (www.cerebromente.org.br), eu destaco justamente esta influência dos remédios em nossas mentes, no papel decisivo do equilíbrio da química cerebral influenciando nossos estados emocionais.

Ali também eu digo em uma possível revolução filosófica-científica pois tudo que passaram para nós em conhecimentos até o século XX foi que o espírito é algo absoluto e responsável por tudo o que ocorre em nossos cérebros. Aí entram os pensamentos, pensamentos lógicos, imaginação, enfim, toda a nossa racionalidade também.

O cérebro é considerado o sistema mais complexo que conhecemos. Se uma alma ou espírito o comandasse, seria necessário tanta complexidade?

Nos anos 80 eu vi apenas umas três vezes na mídia a expressão “sistema límbico”, que é a principal região cerebral responsável pelos nossos sentimentos e emoções. Hoje aparece em bulas de remédios e até em capas de revistas. Que continue assim.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O acreditar e a fé como vantagens evolutivas

Começo este texto com as duas definições de acreditar e a fé, tiradas de um mesmo dicionário. Simplifiquei-as sem alterar o texto, evidentemente, apenas para não ficar cansativo ao leitor.

Acreditar: crer, dar crédito a, ter como verdadeiro. Abonar (-se), conferir reputação a, tornar (-se) digno de estima. Ter confiança.

Fé: crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção. 2. Crença nas doutrinas da religião cristã. 3. A primeira das três virtudes teologais. 4. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança: Homem de fé. 5. Confirmação. 6. F. de Cristo: a crença ou a religião cristã. F. divina: crença que se apoia na revelação.

Nota-se, de imediato, dois exemplos de absolutismo religioso nos itens “2” e “6”. Em “2”: cita-se “crença nas doutrinas da religião cristã”. Em “6” a “fé de Cristo: a crença ou a religião cristã” e também a “fé divina: crença que se apoia na revelação”.

Por que não colocaram diretamente em “2” algo como “crença que se apoia na revelação em todas as religiões do planeta, em todos os tempos?”. Óbvio, o dicionário é de um país cristão e faz-se necessário aparecer algo cristão! Por que não teria em “2”, “religião muçulmana”, “xintoísta” etc.? Seria exótico para quem lesse não é mesmo? Cristãos ouvindo falar em Xintoísmo?... O que é isto? Nunca aprenderam na escola e com os pais...

Em “6” falam da “fé em Cristo: a crença ou a religião cristã”. Citam um nome conhecido e respeitado por nós, cristãos. Mas por que não colocam outros nomes, também ligados a outras religiões? Aí, podem ter certeza, seria o fim do dicionário! E aqui surgem os motivos deste artigo: o meio moldando as cabeças, crenças, religiões, etc. - das pessoas, de forma radical, devido ao absolutismo religioso!

Um bebê vem ao mundo com nada ou quase nada de informações extra-genéticas. Conforme o tempo passa seu cérebro irá crescer, absorvendo estímulos do meio ambiente que o cerca, com seus neurônios se ligando de maneira a aprender, se comunicar, formar modelos da realidade – a água é fluida, escorre entre as mãos - etc. O que ele realiza, por exemplo, ao tirar sua mão de um copo de leite muito quente, é uma reação através de informações intra-genéticas. Já trouxe consigo, como uma reação natural do tato, engendrada em seu cérebro pelos seus genes, mas agora outro sentido, a visão, e, em conjunto com a inteligência e sua memória, o farão a ser cauteloso em situação parecida, chegando com sua mão próxima a outro copo, com aquele líquido branco, verificando se pode pegá-lo ou não. Observará sua mãe esquentando aquele líquido no fogo em outro recipiente para colocá-lo em copos. Isto são experiências a ensinar as pessoas sobre o mundo diante de si. A informação extra-genética é algo muito poderoso em sua vida.

Mas não só o intelecto atua na criança em seu despertar para as informações e experiências vitais ao seu desenvolvimento e adaptabilidade. As emoções estão presentes também. Ela voltará a comer uma fruta, do tipo daquela em que o gosto lhe proporcionara uma sensação maravilhosa de bem estar, de prazer, satisfazendo seu desejo mesmo sem fome. Vontade, ânsia, desejo, emoções básicas do ser humano quando da interação com o seu meio ambiente.

Como disse em meu artigo “O Porquê dos nossos Sentimentos – II” - http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html, no meu blog “Sistema, Evolução e Neurociências” - http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/ e na revista eletrônica Cérebro&Mente – www.cerebromente.org.br - somos seres racionais e emocionais, não podendo separar uma característica da outra quando em muitos envolvimentos interativos. E acontecem nas mais diferentes formas e intensidades.

A alimentação é algo imprescindível na vida de um ser humano, na sobrevivência de sua espécie, mas também podemos falar em algo também importante, ligado ao seu bem estar e com a sobrevivência: o equilíbrio emocional. Irei falar sobre ele nos dois próximos parágrafos para depois relacionar com o que menciono abaixo deles.

Ele é fundamental em nossas vidas pessoais e profissionais. Sem ele não poderíamos viver na plenitude em que consideramos a vida para nós. Não dormiríamos quantitativamente e qualitativamente a repormos nossas forças, estaríamos em constante choque com os nossos semelhantes ou passivos demais para lutarmos em busca de nossas necessidades materiais, viveríamos com medo de tudo que nos cerca prejudicando seriamente nosso presente e futuro etc.

Nosso equilíbrio é afetado por desordens internas e/ou externas a nós. Nascemos com metade dos genes de cada um de nossos pais. Os genes constroem nossos cérebros a partir da concepção e um ou mais erros nessa construção poderão levar-nos a problemas mentais no futuro. Mas não é só isto. Conforme o cérebro se desenvolve da idade infantil até a fase adulta, os estímulos negativos e positivos do meio, simplificando ao máximo possível esse fato, poderão afetar as ligações sinápticas dessa arquitetura neural, levando-o a um mau funcionamento de várias de suas áreas. Isso acarreta em comportamentos inadequados ao mundo em nosso redor.

Uma criança tem em seu início de vida muita informação passada pelos pais, irmãos, parentes, amigos, escola etc. Seu cérebro vai se desenvolvendo com todas essas informações e também com conceitos a respeito de tudo. Essa época em sua vida é uma das mais importantes na formação de seu caráter e personalidade.

Imagine por exemplo uma criança em que seu meio ambiente é formado por pessoas adeptas do cristianismo. Logo cedo alguém diz para ela: “olha, existe um Deus que criou tudo que existe no mundo”. “Ele criou o céu que você à noite, as estrelas, o Sol etc... Plantas, animais, os rios...”. É evidente a aceitação, a admissão por parte da criança de informações deste tipo, pois vêm de pessoas importantes para ela e porque, naturalmente, existe uma poderosa capacidade dela em... Acreditar! Uma questão ela pode achar absurda, deixar para lá, poderá ouvir mais o pai que a mãe sobre um fato religioso etc. Dá para imaginar a quantidade de conceitos e informações e como são passados a ela de forma inquestionável e... Absoluta?

Na escola, com amigos, nas outras cidades e regiões de seu país, com pessoas adultas que mal a conhece etc., todo o seu meio sintonizado no cristianismo. Ela cresce sendo ensinada do modo como o seu meio ambiente é, e, de uma maneira ou de outra, acredita nas histórias. Seu cérebro se desenvolve com essas informações e é possível, quando jovem ou adulta, passar a estudar e crer em outras religiões. Mas, na maioria dos casos, agora generalizando, terá uma marca permanente desde a infância. Seus neurônios se ligaram formando redes quase indestrutíveis...

Simplificadamente, para o propósito no qual me dedico a este artigo, os fatos ocorrem deste jeito, com o futuro adulto passando a acreditar nos ritos, dogmas, crenças etc., do... Cristianismo! Da igreja a ele associada!

Acreditar é crer, ter como verdadeiro. Fé é crença, crédito, confiança, convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção. A pessoa a qual estou me referindo aprenderá, acreditará e terá fé naquilo que a ensinaram, sentindo que pode reverenciar seu Deus para qualquer propósito.

No meu artigo “O Surgimento de uma Religião como uma Necessidade Humana”, http://orelativismodasreligioes.blogspot.com/2008/01/o-surgimento-de-uma-religio-como-uma_11.html, cito um grupo de homo sapiens em uma ilha, em que ideias sobre de onde vieram, porque estão vivos e para onde irão após a morte, é um fato presente e perturbador em suas mentes. Questionamentos como este sempre existiram na imaginação das pessoas em todas as épocas e lugares. 

O equilíbrio emocional pode sim ser alterado se as pessoas não tiverem a capacidade em crer e colocar esta vantagem em prática. Naturalmente, quase automaticamente isto é feito, devido à condição em que viemos a este mundo, com consciência, fé e amor próprio, sendo isto um tema já abordado por mim em “O Porquê dos nossos Sentimentos” no meu blog “Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências”:
http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com/2008/01/o-porqu-dos-nossos-sentimentos_28.html, e também na revista eletrônica Cérebro&Mente –www.cerebromente.org.br. Em minhas palavras: “A consciência, indo mais longe, precisa necessariamente de, no mínimo, dois suportes emocionais para perpetuar, duas forças poderosíssimas: a fé e o amor próprio. Que espécie de seres conscientes conseguiria sua perpetuação se não acreditassem em si mesmos? No seu trabalho, na sua luta diária? Ou, como na maioria dos habitantes do planeta, em algo divino para se apoiarem? Nem levantariam da cama! E que sistema poderia também sobreviver se não gostasse de si próprio? O que adianta um corpo forte em uma mente fraca? Talvez cheguemos a um fato universal: qualquer ser consciente no cosmos terá este tipo de característica. Talvez não exista nada somente racional”.

Conforme nas definições de acreditar e fé, o acreditar pode ocorrer sem a fé. Você acredita em algo, mas não possui fé naquilo, não coloca suas forças e energia se valendo deste sentimento poderoso. Um cristão pode acreditar em Deus, mas não ter fé suficiente para seguir sua religião como outros o fazem. Mas ele acredita... E acreditar, como se vê na definição, é “tomar como verdadeiro”. Mas como ele possui essa verdade? As definições de tudo de sua religião? Foram passadas, como disse acima, muitas informações, conceitos etc., pelo seu meio ambiente: seus pais, escola, ambientes sociais... E fatos desses tipos acontecem em todo o mundo, em todas as épocas, é válido para tudo que o homem criou até hoje como deuses, Deus, dogmas, seitas, rituais, religiões etc. Meio ambiente não é só a natureza... Para o homem o conceito é amplo, maior que para outros organismos vivos em seus habitats, mesmo possuindo relações sociais sofisticadas em relação a outros, como os primatas.

Um ateu, embora tenha uma percepção em que consegue imaginar algo além do mundo material, propriedade esta comum aos humanos, não acredita em deuses ou Deus, influenciando nosso mundo. Não sente nada, “não precisa” e mesmo se sentir alguma coisa poderá rejeitar usando sua lógica, por exemplo. Dirá o seguinte: “é uma invenção da minha mente”. Ele é minoria nas populações porque essas sim necessitam da fé e do acreditar. Agora, ele acredita em si próprio, possui fé em si mesmo, porque senão, novamente mencionando uma frase, ele nem levantaria da cama para... Viver! Viver em seu conceito que todos conhecem: trabalhar, passear, estudar etc. Por isso eu disse “quase automaticamente” no antepenúltimo parágrafo acima... Acorda, levanta e começa um novo dia... Sempre fora assim para nós humanos e sempre será...

Outra pessoa possui fé inabalável em suas crenças! Seja qual for a sua religião, o que passaram a ela, os dogmas e rituais são absolutos a ponto de melhorar seu estado emocional quando necessário.

Isto dá um artigo inteiro, mas, por exemplo, pense em alguém que perdeu um ente familiar, próximo. Ela é cristã e acredita, possui fé suficiente para pensar, sentir, que seu familiar estará em um lugar próximo a Deus, na forma de alma... Espírito... Difícil, simplificando o assunto, achar alguém mais forte que ela. No mínimo suportará a dor quanto à outra cristã praticante.

Em “E o Homem Criou Deus”:
www.orelativismodasreligioes.blogspot.com e www.genismo.com, falo com estas palavras: “É confortante para o homem acreditar em algo superior, transcendental, que o ajude e o ampare. Ter consciência do mundo, da existência de uma separação entre nós e o que nos cerca, pode levar-nos a uma solidão juntamente com uma insuportável crise existencial. O homem não aguentaria viver neste mundo sem algo de superior a acreditar. Mais uma vez, outro “amortecedor” natural oriundo da fé”.

Então temos: sentimentos a respeito de viemos, porque estamos aqui e para onde vamos após a morte. A impossibilidade de entender o infinito e, aqui, colocando esta questão, digo que o ser humano sempre buscou algo para justificar, entender a criação... Para o homo sapiens tivera que existir algo a criar tudo e como esse tudo não era pequeno, o “algo” necessariamente seria superior. Ou “algos”, referindo-me a deuses porque a maioria das sociedades humanas até hoje foram politeístas.

A capacidade humana em acreditar e possuir fé, sociedades a criarem religiões, seitas, crenças, etc., como forma de entender questões cruciais de suas existências, de suas condições por vezes limitadas, porque senão, o próprio equilíbrio emocional estaria comprometido. Aliás, um vem junto com o outro, deixando as pessoas com uma razoável estrutura emocional para viverem em um mundo muitas vezes hostil. E isto se aplica até hoje... Sem estrutura emocional, sem equilíbrio, você teria uma vida confortável em muitos aspectos? Não! Ele não é necessariamente tudo, mas é muito importante.

Um sistema complexo, consciente de si, capaz de imaginar por lógica que existe um mundo além do nosso, teria que possuir vantagens evolutivas como o acreditar e a fé, a preencher esse outro mundo com seres sobrenaturais capazes de realizações a nosso favor. Elas fazem parte de outros sentimentos e emoções necessários à sobrevivência de nós, humanos, no planeta.

Uma professora minha contou à classe que, um ateu, ao saber de sua aprovação em um concurso, disse: “graças a Deus!”. Daí ela completou: “mesmo os ateus ainda possuem alguma credulidade, ainda que não a admitam”. Não! Somos “bombardeados” desde crianças a tantas expressões: “Deus lhe pague”, “Deus quis assim”, “Deus te ouça”, “vá com Deus”, “fique com Deus”, etc., que é muito fácil uma pessoa incrédula “soltar” uma frase dessas em um momento de emoção.

sábado, 19 de abril de 2014

Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos

Quando uma pessoa diz possuir fé, pode acreditar que ela se refere, antes de tudo, ao Deus cristão. Sou brasileiro, escrevo na língua portuguesa do Brasil, meu país, onde a grande maioria das pessoas, quase 90%,¹ são cristãs, e, outras, com menos adeptos, acreditam e/ou aceitam Deus como parte de suas próprias crenças, como, por exemplo, a Umbanda. Então, é evidente para você, possível brasileiro, ou mesmo uma pessoa de outro país ocidental, que a primeira frase acima é até inútil em se dizer. Fala-se em fé, fala-se no Deus cristão. E sabe a razão? Devido ao absolutismo religioso presente no meio ambiente social das pessoas.

Escrevo sobre o oposto ao absolutismo, o relativismo, sendo que este primeiro leva qualquer de seu seguidor a, se for perguntado se possui fé, dizer sobre o (s) deus (es) da própria religião, das próprias crenças religiosas. Os hindus ao grande número de deuses como Brahma, Vishnu, Shiva, etc., os islâmicos ao poderoso Alá, e assim por diante.

Esta é a fé que existe, "por definição", em cada país, para cada povo, etc., mas, não a única que coloco em meus artigos. A "outra" é isenta de religião ou crenças porque me refiro à nossa capacidade natural, que nasce conosco, onde, conforme os valores religiosos vão se formando na mente das pessoas,²  pela influência do meio, elas direcionam suas energias ao (s) ente (s) divino (s) e crenças aprendidas junto a ele. É como pensar na fé como uma extenção do acreditar: primeiro você acredita nos valores religiosos. É um sentimento. Depois você passa a, dizendo de forma prática, dar crédito, confiar, ter convicção, orar por um ente divino ou mais (se a religião da pessoa for politeísta), orar pelos poderes associados a essas crenças, etc.


Assim, em todas as épocas e lugares, seres humanos criaram estórias, inventaram crenças, dogmas, tentaram explicar muitos fatos naturais ou do cotidiano com ideias sobrenaturais, etc., em que os conjuntos delas se tornaram seitas e/ou religiões. Veja então que a fé é um sentimento em cima de conceitos criados (3), abstratos, relativos a cada povo, arraigados na mente das pessoas desde quando crianças.

E aqui abro um parênteses: só agora temos a capacidade de vermos o cérebro em detalhes; a neurociência está mostrando que tudo aquilo que o ser humano atribuía ao espiritual, está, aos poucos, se revelando como pura modificação da matéria e energia comuns (quando as pessoas praticam assiduamente a religião, a meditação e/ou as terapias), ou seja, no cérebro, mesmo elas acreditando em um sem número de crenças. Essas crenças são apenas algo do imaginário (passadas às pessoas desde crianças) em que elas conseguem (todos conseguimos) colocar uma boa dose de fé e acreditar e, com muito esforço mental, melhorar sintomas, doenças, etc.

E a história vai além porque costumo dizer que, se alguém não possui fé em crenças religiosas, seitas, etc., ela terá e tem a capacidade inata de acreditar em si mesma, outro grande sentimento em que eu cito em diversos artigos.

Você verá nos meus textos as minhas citações sobre a fé e até um artigo inteiro denominado "O acreditar e a fé como vantagens evolutivas" (4) me referindo, simplificadamente, à frase "o que é absoluto no ser humano é o poder de ter fé e acreditar". Esta fé a que me refiro já é aquela mencionada no primeiro parágrafo. Mesmo eu com a minha cultura e cultura científica fui traído por mim mesmo devido a minha formação católica desde criança. Não separei claramente no início dos meus artigos estas distinções sobre o acreditar e a fé. Neles essa separação flui aos poucos, indo do acreditar como um sentimento bruto a ser lapidado pelo meio ambiente, para a  fé das pessoas já condicionadas, ensinadas sobre as crenças religiosas locais, tornando-se um sentimento muito poderoso.

Certa vez um jovem, ao ler alguns artigos meus, disse que não possuía fé, não acreditava em nada, e, que por isto, meus argumentos e textos estariam errados porque ele era diferente, onde as minhas ideias não seriam válidas. Respondi o seguinte: "mas você acredita em si próprio, sentimento que está ligado à motivação para viver, ter uma vida digna, etc.  Você faz parte de uma pequena minoria que não faz diferença junto à grande maioria das pessoas que acreditam e têm fé no sobrenatural". Nesses assuntos importa o que acontece com a maioria das pessoas e não às exceções. A mente da grande maioria de pessoas, considerando-se também em todas as épocas da história da humanidade no planeta, possuem e, respectivamente, possuíam mecanismos cerebrais levando-os a ter sentimentos, incluindo o acreditar e a fé. O acreditar que, pelo absolutismo religioso, leva as pessoas a terem fé no que é transmitido por ele desde a infância delas.



Notas:

1 - Site da Rede Record. Disponível em: (infelizmente já fora da internet) . Acesso em: 12-04-2014.

2 - Argos Arruda Pinto. Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro. Disponível em: <  
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2017/04/neurociencia-e-como-se-formam-os.html >. Acesso em: 18-04-2017.

3 - E portanto relativos, nada tendo de absoluto, falsos

4 - O acreditar e a fé como vantagens evolutivas. Disponível em: http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/2008/02/o-acreditar-e-f-como-vantagens.html







quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Relativismo Religioso no dia a dia das pessoas (e outros fatos...)

Observação: nesta postagem eu mostro situações pelas quais presenciei ou fiquei sabendo através de amigos. Ela mostra como as religiões e seus dogmas, crenças, etc., são, na realidade, relativos ao meio ambiente social (incluo o cultural) das pessoas, que não são absolutas como se pensa. Não existe uma religião absoluta, "dona" da verdade.

Acrescentarei experiências minhas conforme irei presenciando ou vivendo.



- "Certa vez a Igreja Católica tentou pôr fim à ciência da destruição. Um papa do século XII baniu a tecnologia de ponta das guerras da época - a besta: o arco com apoio para a flecha. Essa máquina que mata mecanicamente, disse ele, não é cavalheiresca. Contudo, não via problemas em que ela fosse usada contra pagãos, como os muçulmanos." [Que respeito a outras religiões, hein? RS].

Smith P. D. Os homens do fim do mundo: o verdadeiro dr. Fantástico e o sonho da arma total. São Paulo Companhia das Letras, 2008. p. 119.



- A Praça da Sé, em São Paulo - SP, é um verdadeiro reduto de pastores evangélicos e candidatos a pastores pregando ao ar livre de manhã até à noite. Certo dia parei para escutar um que dizia: "Entrei em uma Igreja Católica só para ver... Só para ver! Estava escrito em uma das paredes 'Nossa Senhora Mãe de Deus'. Quer dizer que Maria é mãe de Deus? Isto se chama blasfêmia". O Relativismo Religioso acontece até em fatos sem maiores consequências, porque, ao meu ver, dizer Deus ao invés de Cristo é puro modo de falar. E ele pregava em terreno da Igreja Católica, da Catedral da Sé, o que poderia ter gerado muita discórdia e até brigas.

- Filho de um amigo meu, oito anos, disse para um colega nosso: "Não existe Deus; existe Ogum".

- Um brasileiro bastante religioso, cristão, foi à Índia. Conheceu pessoas, almoçou com eles e, de repente, uma bebida alcoólica fora servida e tinha o nome, ao se traduzir para o português, de "Deus". Ele ficou indignado, reclamou com o garçom, que nada fez, e nem os amigos. Mas um amigo indiano veio ao Brasil e lhe foi oferececido uma cerveja da marca BRAHMA. Será que o brasileiro, ou outros, se incomodou em saber que essa bebida tem o nome de uma das mais importantes divindades da Índia? Creio que não. 


- Certa vez eu estava com um amigo indo para o Metrô Sé na famosa praça de mesmo nome. Paramos próximo à estátua de Paulo, o apóstolo, para decidirmos aonde iríamos. 

Aí chegou um senhor bem vestido, bem apessoado, simpático, parecendo chinês ou coreano, de uns 55 anos. Ele perguntou desta maneira, com sotaque: "Quem, quem é este?". Aí entendi tudo e no mesmo instante expliquei resumidamente: "O nome dele é Paulo, foi amigo (eu não poderia dizer apóstolo porque complicaria) de Jesus, o principal 'personagem' do livro sagrado "Bíblia" de todos os cristãos, religião deles". O homem ficou olhando admirado, com um sorriso no rosto e perguntou de novo: "Foi ele quem construiu aquela igreja?", apontando para a catedral. Daí eu completei: "Não, Paulo viveu há dois mil anos atrás e esta igreja foi construída no começo do século passado". Então ele agradeceu a informação, não querendo ser mal educado prolongando a conversa e foi embora.

Na Coreia do Sul o budismo é predominante. Existem cristãos, mas ele não era... Se chinês, seria ateu, confucionista ou taoísta, predominantes lá.

Para ele não importava quem eram Jesus e Paulo, a Bíblia, o cristianismo, porque fora educado em outra cultura. Daria para falar que ele era um homem infeliz por isto? Toda a China ou a Coreia por  isto? Todas as famílias de lá por ensinarem doutrinas, dogmas, etc., de lá? Não!

Experimente dizer a um homem desses que ele pertence a uma religião que não ensina as coisas certas e que o cristianismo é o correto. Ele dirá que o cristianismo é quem não ensina nada correto.

Quem estará certo, quem estará errado? 

Isto é o Relativismo Religioso.

- Um amigo meu, neto de japoneses, foi para o Japão para trabalhar e viver por lá no ano de 1990.

Seis anos depois pessoas comentaram comigo: "Argos, o Sérgio disse umas coisas estranhas do Japão: que no dia 24 de dezembro não há Natal, ceia, presentes, árvores enfeitadas e que no dia 25 não é feriado". Elas não me falaram do provável erro daquele país em não ser cristão. Ou achavam que todo o planeta era cristão. 

No Japão, o Xintoísmo possui mais da metade da população em adeptos, seguido do budismo, que não é bem uma religião e mais uma filosofia de vida. O cristianismo lá não ultrapassa 2%!

E  vejam a falta de consciência de muitas pessoas: neste caso que citei, elas talvez nem soubessem das divisões das religiões pelo mundo. Tenho certeza que não entenderiam o Relativismo Religioso porque foram ensinadas, doutrinadas a acreditarem no cristianismo.