quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Frases:

- Também defino a Neurorreligação ( ver os artigos do blog http://neurorreligacao.blogspot.com.br ) como as modificações funcionais e/ou estruturais de pequenas regiões cerebrais, pelas práticas religiosas, terapias e meditações, causando modificações nos comportamentos visíveis, levando o indivíduo a uma volta a sua vida normal: família, vida social, afetiva e trabalho.

- “A crença forte só prova a sua força, não a verdade daquilo em que se crê” - NIETZSCHE

- Você acreditaria que existe um deus com corpo de homem e cabeça de elefante? Até riria disso não é verdade? Mas ele é um dos deuses mais cultuados do hinduísmo, o Ganash. Além de tudo é por ele que se alcança prosperidade, dinheiro. Mas vá para a Índia e diz às pessoas que no livro mais sagrado do ocidente está escrito que a mulher surgiu da costela de um homem... Relativismo puro.

- Amigo meu, evangélico, apareceu em uma igreja que não a dele, com uma Bíblia de baixo do braço e pedindo orientações para a vida dele. Um pastor disse assim: "Jogue fora esta sua Bíblia e use a daqui". Até dentro dos evangélicos existe relativismo.

- Por que as pessoas não nascem com Deus na cabeça, como nascem com os cincos sentidos? Lógico, tem que ensinar, porque senão acreditariam e dedicariam suas vidas a outras religiões para eles ensinadas." - Autoria minha;

- "As religiões inventaram uma ótima forma de controle para os adeptos não questionarem nada, não duvidarem ou criticarem das suas crenças fundamentais, sob o risco de serem expulsas, o que é feio perante a sociedade, ou até de serem mortas: a blasfêmia." - Autoria minha;

- "Deus, para a grande maioria das pessoas, é o dinheiro. Mas elas farão de tudo para dizerem que não." - Autoria minha;

 - "Os cientistas são capazes de produzir visões ou a sensação de transcendência espiritual com o estímulo artificial de certas áreas do cérebro." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;

 - "O ser humano prefere acreditar que conhecer. É mais fácil." - Autoria minha (há vinte anos...);

 - "Não evoluímos para duvidar ou ter visão crítica. Isso exige educação e reflexão. Crer é mais fácil." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana - Revista ÉPOCA - 13/01/2012 - 13:06 - Atualizado em 20/01/2012 - 11:44 - Acessado em 03/11/2013 - 13:21:

 - "Existem 10.000 religiões. Espanta-me a arrogância de quem supõe que só uma crença seja correta em meio a tantas." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;

 - "[...] a convicção de que o pensamento mágico é o que basta para a compreensão do universo produz uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar que seres místicos, sejam eles deuses ou extraterrestres, se preocupam e cuidam de nós. Não nos sentimos sós." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;

 - "A neurociência identifica padrões de ondas cerebrais distintos que nos levam a criar crendices e a ter prazer na constatação de que temos respostas às nossas dúvidas." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;

 - "Em situações extremas, como as enfrentadas por quem está no limite da resistência física ou próximo à morte, o cérebro reage com a redução da atividade na área responsável pela consciência e o aumento em regiões ligadas à imaginação. Essa reação natural está na origem das alucinações." - Michael Shermer - Psicólogo - USA - Universidade de Indiana;


 - [...] "Há vida após a morte? Quem criou tudo a nossa volta? Quem somos nós? Para onde vamos após a morte?" [...] "A odisseia do homem no planeta veio acompanhada de tentativas de respostas a questões como essas desde o dia em que ele mesmo tomou consciência de si próprio, e do mundo a sua volta. Quem sou eu, o que faço aqui e o que é tudo isto ao meu redor, quem é o outro, o que é certo ou errado, deu início a tudo o que viria depois: crenças, religiões, a ética, a moral, as regras de comportamento, etc.". - Autoria minha.

  

domingo, 6 de outubro de 2013

A necessidade humana da religião

Estamos na Terra há aproximadamente 300 mil anos. Independente do quanto houve de desenvolvimento da nossa inteligência nesse período, possuíamos um cérebro, no mínimo, muito próximo ao nosso atual, dotado de consciência, emoções, sentimentos e a própria inteligência.

Algo interessante de se observar é que a grande diferença entre nós e os nossos antepassados reside no fato de recebermos conhecimento "pronto", desde a infância, sobre o mundo que nos cerca, sobre nós mesmos, a partir do nosso meio ambiente social, principalmente dos pais e dos professores. Eles não; de poucas informações passadas dos mais velhos para as crianças e jovens, havia um universo muito grande de possibilidades a ser explorado na natureza.

Você precisou descobrir sozinho, na infância, se a água a ser ingerida era suja ou limpa? Você precisou, na adolescência, aprender fazer o fogo? É por isto que perguntas assim são tolas: somos tão acostumados a receber conhecimentos "prontos" que nem damos conta disto.

Mas o ser humano não precisava saber apenas como fazer o fogo para se aquecer ou se proteger de grandes animais. Ele, pela curiosidade e também até necessidade, queria saber de onde viera a água, o chão, a chama vermelha e quente do fogo, e, não só saber a respeito da natureza, mas também quem era ele, porque estava vivo no próprio entender do que era estar vivo enquanto via pessoas morrerem... Para aonde iam? Em termos de grupos de pessoas, queria saber como se relacionar com elas, como melhorar a convivência de todos porque viviam em comunidades. E aqui eu poderia fazer uma lista tão grande de conhecimentos, valores, regras, etc., para o ser humano viver bem, em todas as épocas e locais no planeta, que só apenas estes exemplos dão para você notar o quão grande seria essa lista.

Outro aspecto dessa busca incessante pelo conhecimento ocorria com algo também, acho eu, pouco comentado pela literatura: de onde vinham os pensamentos, a imaginação, as ideias criadoras de tantos conhecimentos, o raciocínio, etc., sendo tudo isto tão obscuro para eles que até hoje muitas pessoas não acreditam, ou possuem uma enorme dificuldade de se atribuir essas atividades apenas às interações entre neurônios e áreas cerebrais específicas?

A que atribuíam toda a nossa atividade mental, que não era matéria comum, que não era nada parecido com tudo que viam ao redor de suas existências? Ou, a quem atribuíam tamanha força mantenedora da vida de todos?

E será que os sonhos não os influenciavam a pensar na existência de outros mundos além deste, em que saíam de seus corpos para se aventurarem neste e em outros planos desconhecidos quando acordados? Ou então que entravam em contato com o sobrenatural?

Em meu artigo neste blog, "O surgimento de uma religião como uma necessidade humana", eu falei apenas da imaginação das pessoas de como poderia surgir a região local de onde estavam. Aqui eu generalizo.

Já em outro artigo também neste blog, "As Bases de como eu vejo o Relativismo Religioso", na nota 01, eu falo da relação entre a criação de objetos, utensílios, armas, etc., ou seja, de tudo que os caçadores-coletores puderam criar com matéria-prima originada nas plantas, argila, ossos de animais, etc., através dos elementos da natureza impossíveis desses homens reproduzirem. Uma frase do artigo: "Faz parte da nossa natureza humana, e isto não é novidade, de sempre perguntarmos de onde veio tal objeto, quem construiu, como, para quê e muitos "etc." a respeito de... tudo! Quem criou tudo?!". Este "tudo", no final, também seria a matéria-prima e alguém ou algo muito poderoso a criou.

Se entes divinos, ou um só, criou tudo, com homens e mulheres também, é razoável supor que os antigos humanos pensassem que ele (s) fosse (m) muito poderoso (s), até com respeito às mentes e a vida de todos. E aqui é o início das religiões porque surgiram crenças e seitas no planeta todo, não só em um local, sobre entes divinos no comando de... Tudo! Da estruturação dessas seitas e crenças vieram religiões.

Mas entes divinos poderiam também inspirar as pessoas sobre como e o que formularem com respeito a regras sociais, valores, etc., porque estavam, segundo esses antigos, em grande parte no comando dos seus cérebros.

Gosto de pensar nos dez mandamentos da história do cristianismo formulados por Moisés. "Não roubarás", "não matarás", "não levantar falso testemunho", são três grandes exemplos de regras muito importantes para grupos sociais. Ele esteve no monte Sinai e recebeu uma inspiração, diretamente ou não, do seu deus segundo o cristianismo, para tanto. Em minha opinião foi um trabalho de gênio que se retirou de todos para refletir e criar uma obra perfeita para as pessoas religiosas em pequenas frases, relacionando regras e valores com o deus criador dos homens, das mulheres e toda a natureza. E se você pensar nos dez mandamentos sem as regras ligadas ao deus cristão, ele ainda é perfeito como um conjunto de leis para qualquer sociedade, um grande avanço para aquela época, naquela pequena região do planeta.

Para este artigo denominado "A necessidade humana da religião", notamos que para o surgimento de uma religião não se faz necessário apenas algumas crenças. É preciso, já que se acredita em um deus absoluto, um conjunto de leis, regras, rituais, valores religiosos, etc., pelo simples fato desse deus estar por trás de tudo, permeando e influenciando todo um povo com necessidades de entender o meio que o cerca, como lidar com o bem e o mal, como entender a origem de tudo, o que e quem é o ser humano, suas origens, o fim e o que virá depois da morte, o maior medo que a humanidade jamais enfrentou e enfrenta.

Difícil englobar em um pequeno texto tudo o que é necessário para isto e muito mais, e, portanto, falei mais em deus, deuses, valores sociais, enquanto que valores religiosos eu explorei no artigo "Como se formam os valores religiosos em nosso cérebro". E inventaram religiões para explicarem às pessoas, em todas as épocas e lugares, infindáveis ensinamentos de todas as formas possíveis. Por isto elas não são completamente iguais. Depende do local, da cultura anterior e atual do povo, de fatos históricos, etc.

Por isto mostrei em outros parágrafos, de modo bem resumido, um pouco do desenvolvimento das religiões. O ser humano precisa de ensinamentos e orientações detalhadas e aqui entra a necessidade da religião. Um assunto bem estruturado satisfazendo às necessidades das pessoas, ao que pertence a elas, desde quando nascem: lidarem com o potencial em acreditar no sobrenatural, de aprenderem o que existe nele de útil para as suas vidas, algo de absoluto, tendo a fé como o mais poderoso sentimento envolvido em todo esse processo.

Na verdade, quando "o primeiro" ser humano surgiu na Terra, ele passou a olhar para si mesmo e o mundo que o rodeava. E a partir daí percebeu que possuía um enorme potencial para pensar e sentir muitas coisas. Desse ponto em diante a influência do que ele imaginou ser o sobrenatural fez com que chegássemos até hoje com algumas religiões de mais de um bilhão de adeptos.

Mas... Pelos avanços da Neurociência, que digo nos meus textos sobre o Relativismo Religioso, a fé e o acreditar no sobrenatural são produtos de reações físico-químicas como um recurso da evolução, para um cérebro dotado de consciência e amor-próprio, não sofrer consequências desastrosas com problemas emocionais oriundos de questões existenciais, etc., de tudo já mencionado neste texto e nos outros que escrevi.

Então, como ficamos? Algo é certo: a humanidade passou dezenas, centenas de milhares de anos sem saber dessa influência das atividades neuronais porque nunca, e isto é óbvio, conheceram a Ciência em um nível como o de hoje. Só do século passado para cá foi possível examinar os fenômenos biológicos responsáveis pela nossa racionalidade mencionada no quinto parágrafo, "de onde vinham os pensamentos, a imaginação, as ideias criadoras de tantos conhecimentos, o raciocínio, etc.", e, complementando, as emoções e os nossos sentimentos.

Como eu disse no primeiro artigo de Neurociência que escrevi, "A Base Material dos Sentimentos", também na nota 01, acredito em uma revolução científica e filosófica afetando as religiões, porque, de uma alma ou espírito, criando nossos sentimentos e a nossa racionalidade, a Ciência descobre atualmente algo além de tudo que nós humanos imaginávamos até hoje.


 - Nota 01:

PINTO, A. Arruda. A Base Material dos Sentimentos. Cérebro&Mente, Campinas. Número 12, fev./abr. 2001. Disponível em:

PINTO, A. Arruda. A Base Material dos Sentimentos. Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências. Disponível em: http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/. Acesso em: 06. 10. 2013.


 - Outros textos meus como base para este assunto:

“O porquê dos nossos sentimentos” – Cérebro&Mente - http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html - Acesso em: 06. 10. 2013. E em Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociência -http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br;


“O porquê dos nossos sentimentos - II” – Cérebro&Mente - http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html. Acesso em: 06. 10. 2013. E em Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociência - http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br;

“O poder dos sentimentos e das emoções” – http://opodsenemo.blogspot.com.br/;

“Consciência, amor-próprio, fé e transcendência – A moderna Teoria da Evolução” - http://coamoprofetrans.blogspot.com.br/;

“Psicologia evolutiva – Uma visão básica sobre o assunto” -- http://psicoevolutiv.blogspot.com.br/;

“Por que existe o amor? A explicação científica é a verdadeira” -- http://nepsicoreli.blogspot.com.br/;

“O acreditar e a fé como vantagens evolutiva” -- http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/;

“Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências” -- http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/;

“Neurociência e consciência” -  http://neuconblog.blogspot.com.br/;


 - E todos os artigos deste blog.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O que é o Relativismo Religioso na minha visão

O Relativismo Religioso é o fato de que cada religião toma para si as suas verdades como absolutas, considerando as outras religiões como pagãs, ou seja, erradas, tomando como falsas ou sem propósito, as verdades de cada uma delas, os valores religiosos. Mas o que existe mesmo é uma relatividade em tudo que existe por aí, porque, então, qual delas estaria correta? O que é absoluto seria correto, mas todas se dizem absolutas!

Elas consideram os seus deuses como as suas maiores verdades absolutas. Mas veja que são diferentes:

1 - O deus cristão não é o mesmo que os deuses do hinduísmo Brahma, Vishnu e Shiva;
2 - Alá, o deus do islamismo não é o mesmo que o deus cristão e dos hindus;
3 - O casal de deuses criadores das ilhas japonesas, berço do xintoísmo, a religião oficial do Japão, Izanagi e Izanami, não são os mesmos de todos acima. E assim acontece com todas as outras religiões. Qual deus é o verdadeiro? É relativo, depende de locais, épocas, estruturas sociais, etc., de onde eles foram inventados, mas isto para cada uma das religiões. Um só mesmo não existe...

A predisposição religiosa dos seres humanos é uma predisposição transcendental com sentimentos e emoções. Aliás, este, é um conceito generalizado, entrando na formação de qualquer religião.

Explicarei em duas partes, I e II, uma com conceitos lógicos e outra com os sentimentos e emoções:

I - Temos a capacidade de pensar, elaborar, um ou vários mundos à parte do nosso, ou junto, e que pode ser "habitado" por entes de diversas formas e até sendo amorfos, ou só um ente mesmo, que influi, interage conosco e com tudo. Isto é a transcendência e não significa que acreditamos nesse (s) “mundo (s)”, mas, como temos um cérebro provido de sentimentos, emoções, acreditar, fé, etc., cairemos em II:

II – Para simplificar direi a respeito só a um ente divino. Esse ente considerado como divino, seria responsável por muitos fatos que ocorrem na vida das pessoas, na Terra, no universo, etc., sendo base de todas as crenças, seitas e religiões criadas pelos seres humanos até hoje. O deus cristão é o exemplo mais próximo de nós porque o cristianismo e as suas vertentes é a religião com mais adeptos em nosso mundo ocidental.

Na minha visão do Relativismo Religioso, a existência de sentimentos e emoções, com o acreditar e a fé, não implica que existe (m) ente (s) divino (s), mas sim uma capacidade do nosso cérebro em manter este estado de coisas para ele continuar "funcionando", trabalhando de modo satisfatório. Como digo em meus artigos, temos recursos neuronais possuindo a capacidade de dar margens a muitas crenças para os seres humanos lidarem com questões existenciais, sociais, etc.


E também pelo fato das crenças que conhecemos terem algumas similaridades, dá a impressão que existe o sobrenatural e que nós temos a capacidade de chegar até ele. Mas não, é justamente ao contrário: essas similaridades existem porque a condição humana na Terra sempre fora igual para todos os povos, em todas as épocas e locais: sobreviver. Então inventamos coisas parecidas, mas não iguais: as religiões, que variam de povo para povo. E aqui entram a Teoria da Evolução e a Neurociência.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

As bases do Relativismo Religioso como eu o vejo

O assunto Relativismo Religioso é bem complexo e se faz necessário  algo bem organizado, um esquema com declarações enumeradas, como tópicos, itens, sobre fatos científicos e ideias próprias, para um melhor entendimento do leitor.

Não encontro nada relacionado a ele em sites brasileiros e noto, sem ser pretensioso falta de compreensão por parte até daquelas pessoas acostumadas com os assuntos da neurociência, teoria da evolução e religiões, em conjunto.

Vejo fortes discussões em muitos sites da internet a respeito de dezenas, centenas de argumentos profundos a favor do cristianismo ou outras religiões, junto com as ciências ou não, mas, aqui, não se faz necessário compreender a fundo as crenças e os dogmas das religiões e sim os aspectos básicos de onde se fundamentam. Mas das ciências sim! Note que falo em religiões no plural porque este assunto não diz respeito somente ao cristianismo, como estamos acostumados a ele, porque é predominante em nosso mundo ocidental, mas com todas, com qualquer uma das religiões presentes no mundo todo e em todas as épocas.

Então eu digo:
  
1 – Possuímos a capacidade de abstração e uma das suas propriedades é a transcendência (I), onde conseguimos imaginar que exista um ou mais planos, mundo (s), junto (s) ou afastado (s) de nós, interagindo ou não conosco, embora podemos não acreditar que exista (m).

2 - Nesse (s) mundo (s) conseguimos imaginar, mas não acreditarmos se quisermos, em um ou mais ente (s) divino (s), criador (s) do (s) nosso (s) universo (s) e responsável por essas interações.

3 - Então, para uma pessoa, em termos gerais, de população, ela precisa ter a capacidade da transcendência para depois imaginar algum ou mais entes divinos. Estes três itens pertencem à função racional, lógica, do nosso cérebro, para os argumentos aqui, e, mesmo se houver sentimentos nesses processos, me preocuparei apenas e suficientemente com a racionalidade.

4 - Agora, nossos sentimentos e emoções serviram a nossa sobrevivência como espécie no planeta,  sejam eles individuais ou sociais.

5 - Eles vêm de interações físico-químicas sendo funções, funções orgânicas que produzem sensações.

6 - O acreditar e a fé (II) (A) são sentimentos, servem ao mesmo propósito do item 04, sendo duas sensações relacionadas entre si, possuindo uma diferença sutil entre elas. Uma pessoa pode acreditar em um (s) ente (s) divino (s), mas não ter, ou ter nele (s) pouca fé. A maioria das pessoas acredita e possui muita fé. Outros nem acreditam. Mas nós humanos, no mínimo, acreditamos em nós mesmos. Não fosse assim, nem levantaríamos da cama para lutarmos pelas nossas vidas.

7 - Qualquer ser no universo, dotado de sentimentos, emoções, inteligência e consciência, têm que possuir amor-próprio. Na verdade podemos pensar nele como uma extensão do instinto de sobrevivência dos outros animais, porque serve a um cérebro mais complexo, fazendo com que o ser humano não se destrua. Consciência como em nós humanos e amor-próprio andam juntas, como acredito para qualquer outro ser semelhante a nós.

8 - Então, que tipo de ser no universo, dotado de consciência e amor-próprio, mas sem a transcendência e do acreditar e da fé, não sucumbiria, devido a desequilíbrios emocionais, originados de questões profundas como as perguntas "de onde viemos, para onde vamos como espécie, qual o significado da vida, por que estamos aqui, e, a mais aterrorizante delas: o que existe e para onde vamos após a morte?". Afinal a consciência nos dá esta capacidade de questionamento e o amor-próprio, porque serve a nossa e a qualquer proteção própria, precisarão da transcendência e do acreditar e da fé para atribuir a entes divinos e todas as manifestações e realizações desses, para responder a essas questões e muitas outras, fora do controle de sua vida e da sua volta, em seu meio ambiente social e/ou natural. Não há outra saída...

9 - Mas veja, será então que a nossa mente/cérebro, possuiria a transcendência, o acreditar e a fé apenas como "amortecedores" naturais, nos enganando, pois não há o sobrenatural, para nos sentirmos aliviados de tantas questões cruciais? Acontece que aí  entramos no campo da abstração, sentimentos e da poderosa evolução, onde, acredito, possuem poderes para tanto porque está em jogo a perpetuação da espécie humana na Terra.

10 - Mas o que são em essência, a abstração, a transcendência, o acreditar e a fé, senão interações físico-químicas originados da nossa atividade neural com a liberação ou não de substâncias químicas como hormônios e neurotransmissores?

Conclusão:

De (I) - transcendência e (II) - o acreditar e a fé, temos que qualquer cérebro, consciente de si e com amor-próprio, terá que possuir estas propriedades para sobreviver a despeito de muitos questionamentos importantes, decisivos, que o levaria a ficar doente, comprometendo também a sobrevivência do próprio corpo, que o possui junto a ele.


Assim, em todas as épocas e lugares, seres humanos criaram estórias, inventaram crenças, dogmas, tentaram explicar muitos fatos naturais ou do cotidiano com ideias sobrenaturais, em que o conjunto delas se tornaram seitas e/ou religiões. Veja então que a fé é um sentimento em cima de conceitos abstratos relativos a cada povo, arraigados na mente das pessoas desde quando crianças.


Algumas religiões obtiveram mais adeptos, algumas delas mais adeptos em outras épocas. Mas, a base do que eu escrevo é que todas dizem serem elas absolutas, e as outras, pagãs, erradas.

Na verdade tudo é relativo. Não há religião com verdades absolutas. A única verdade absoluta no ser humano é que essa capacidade de transcendência e do acreditar e ter fé foram selecionadas pela evolução para o sistema nervoso central não entrasse em colapso. O ser humano não sobreviveria, mal deixaria descendentes, etc., com um cérebro defeituoso, confuso e perturbado, com verdadeiros delírios acerca das questões mencionadas no item 08. Ele tem que jogar, colocar nas mãos de ente (s) divino (s), junto com a criação de outros valores religiosos em que acredita com muita fé, para se estabilizar emocionalmente. Sempre foi assim. É uma das faces mais importantes, talvez a mais, da condição humana.


Considerações:


A - Ler "Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos" - Neste blog: http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2014/04/esclarecimento-sobre-fe-para-os-meus.html

B - Veja que coloco as palavras "ente", "divino" e "criador" em minúsculas porque faço referência a todos os deuses de todas as religiões, sendo cristãs ou não, monoteístas ou politeístas, etc., pois este artigo é de caráter geral.

C - Não incluo dogmas, conceitos, crenças, etc., de nenhuma religião em particular, pois, repito, sendo este artigo de caráter geral, digo apenas ente (s) divino (s) porque ele (s) é (são) o (s) "centro (s)" de todas elas.

D - (24/06/2013): Faz-se necessário uma observação importante sobre o fato de que a grande maioria das religiões acredita em um ou mais criador (s) do (s) universo (s) a nossa volta e também de nós mesmos.

Será coincidência ou os nossos cérebros foram realmente projetados por um ente divino, ou vários, para acreditarmos no sobrenatural, nesse (s) próprio (s) ente (s)? Existem e existiram muitas crenças e religiões para acreditar nesta segunda questão. Se não, todos os seres humanos em todas as épocas acreditariam em um só ente divino ou em vários deles, especificamente iguais! Quem projeta não faz para confundir.

E sobre a coincidência?

Melhor analisar a condição humana da época em que éramos caçadores-coletores até a formação das primeiras civilizações e entendermos muitos fatos que aconteciam no mundo todo. Coincidência seria simplificar demais.

Os humanos começaram a fabricar utensílios, armas, objetos decorativos, etc., e o faziam com matéria-prima do solo, de galhos de árvores, etc., mas também questionavam certos fatos.

Darei dois exemplos. (A'): uma fôrma de barro para armazenar água. Eles viam que esse objeto, avançadíssimo para a época e muito útil porque facilitava o uso direto da água, vinha de uma lama, de um local no chão, pertencente ao lugar onde estavam e, então, de onde veio esse local e tudo o mais em volta? Alguém fez o objeto. Mas alguém teria criado todo o resto. (B'): uma lança de madeira de um galho de árvore: também útil porque podiam caçar e abater animais grandes com mais facilidade. Mas eles notavam que as árvores cresciam do solo e que embora outras, maiores, parecessem não crescer, estavam fixas no solo. E de onde veio o solo? Tudo cria tudo, tudo provém de tudo e, óbvio, questionavam, todos os locais que conheciam vinham de algo ou alguém que os criara.

E as pedras tão úteis para rasgar couro, pele, carne, colocá-las nas pontas das lanças? Vinham de outras pedras ou do solo. Metais? De rochas com o uso do fogo oriundo do atrito de rochas especiais com folhas secas em que essas folhas eram de árvores e as rochas do solo, do chão.

Faz parte da nossa natureza humana, e isto não é novidade, de sempre perguntarmos de onde veio tal objeto, quem construiu, como, para quê e muitos "etc." a respeito de... Tudo! Quem criou tudo?!

Para mim é completamente natural pensar, supor que o ser humano vivia querendo respostas a respeito de tudo a sua frente, e, algo, era ainda mais perturbador: todas as pessoas vinham de uma mulher... Mesmo antes de saberem da importante parceria do homem para fazer um filho, de onde vinham as mulheres? De outras, que vieram de outras... E os homens vinham de mulheres. Alguém as fez lá no passado. Lógico que quando descobriram o valor do sêmen do homem, ainda ficava a questão: de onde vieram os dois? Alguém ou algo muito maior que eles teria feito, criado. Algo então poderoso, invisível porque realmente não viam nada, talvez criando o mundo também. Ou vários entes realizando cada um a sua obra.

Os caçadores-coletores conheciam as leis da física, da química, da biologia, o DNA, a reprodução, etc.? Então, nada mais coerente pensar que criaram muitas estórias que se tornaram crenças, seitas e religiões.


E - (04/07/3013): Na primeira nota acima eu falo mais sobre a criação, de onde veio tudo que nos cerca e nós mesmos. Claro que religião não é só isto. Qualquer uma delas discorre sobre o bem e o mal e realmente estes dois conceitos são muito importantes, pertencentes as nossas vidas não só individuais como também sociais.

Considero como gosto de fazer, a análise primeira, primordial, ao que se referem estas duas concepções do meio ambiente, natural ou social, influindo em todos os seres vivos incluindo a nós, os humanos, fazendo uma ressalva do também importante estímulo interno como as doenças, defeitos congênitos, etc. Veja, uma substância química tóxica conseguindo vencer a barreira que uma membrana celular impõe, sendo um organismo unicelular ou não, é um mal, da mesma maneira que um assaltante com uma arma apontando a você e querendo a sua carteira. Ambos são estímulos negativos do meio ambiente que os cercam: mudam-se os protagonistas, os meios ambientes, as formas em que o mal age etc., mas a ideia é a mesma.

Então, desde que o primeiro ser vivo apareceu na Terra, há mais ou menos 3,8 bilhões de anos, ele estava na condição ambiental e de si mesmo em receber estímulos negativos e positivos. Foi assim mesmo quando do aparecimento das plantas pluricelulares, animais pluricelulares e até nós. Na verdade somos indivíduos sociais como outros animais e também daí vêm os estímulos positivos ou negativos do meio ambiente social. Nossa condição humana, sempre esteve, a mercê desses estímulos e a evolução agiu em todos os seres com esse fato.

Indo além, se algum (s) ente (s) divino (s) criou (aram) os primeiros homens e mulheres, ele (s) o (s) fez (fizeram), no mínimo, por amor, com carinho e cuidado. Mas aqui entra uma questão difícil de ser solucionada e que as religiões explicaram com muitas ideias diferentes: como colocar homens e mulheres em um mundo com estímulos positivos, mas...  Também negativos? Quem realizaria tal absurdo, com pessoas vivendo suas alegrias, felicidades, mas com muitos sofrimentos devidos a esses estímulos contrários, incluindo aqueles que os levariam à morte? Quem quer morrer? É aí que cada uma delas inventou uma maneira de explicar tamanha contradição.

No Gênese da Bíblia, o principal livro do cristianismo, Deus proibiu o homem e a mulher de comer do fruto da árvore proibida porque, caso contrário, seriam expulsos do paraíso de onde viviam. Eles experimentaram de uma fruta e pronto, eles e todos os descendentes passaram a viver com e sem dores, junto ao Bem e ao Mal em conjunto.

Para mim está clara a tentativa de explicação, a posteriori, de quem escreveu o Gênese, para, a partir de um Deus como a figura do Bem, se entender como as pessoas viviam  e vivem em locais, meios ambientes, muito diferentes de um paraíso...

Carl Sagan e o Relativismo Religioso como eu o vejo

Carl Edward Sagan (09/11/1934 - 20/12/1996) foi astrônomo, astrofísico, antropólogo, biólogo, astrobiólogo e escritor estadunidense, responsável por muitos livros de divulgação científica, talvez o maior deles junto a Isaac Asimov. E ainda contribuiu com as missões espaciais Pioner, Mariner, Viking, Voyager e Galileo, recebendo medalhas condecorativas pela Nasa.

É dele e de alguns colaboradores, nas missões Pioner 10 e 11, respectivamente lançadas em 1972 e 1973, a concepção de uma placa revelando a figura de um homem e de uma mulher, representando a espécie humana com a nossa posição em relação a uma estrela, o Sol, se caso essa pequena nave-robô for interceptada por seres extraterrestres. Hoje a Pioneer 10 está na constelação de Touro, por volta de 12-13 bilhões de km de nós, e as fontes radiativas para emissões eletromagnéticas com informações do cosmo já estão fracas demais para chegarem até aqui.

Em 1977, Sagan ganhou o Prêmio Pulitzer pelo livro "Os Dragões do Éden", uma obra tão avançada que reunia  antropologia, paleoantropologia, evolução, ciências da computação e neurociência para entendermos a evolução do nosso cérebro.

Foi também responsável pela série de TV "Cosmos", baseada em livro de mesmo nome e que se tornou o maior best-seller de divulgação científica pela língua inglesa.

Lecionou em Harvard e na universidade de Cornell. Cético, racionalista por excelência, Carl Sagan se declarou certa vez como agnóstico, e escreveu também sobre ciência e religião relacionadas. 

O livro "Variedade da Experiência Científica" - Uma Visão Pessoal na busca por Deus, é uma edição feita em 2008, pela sua última mulher, Ann Druyan, de nove palestras em que ele participou nas famosas Gifford Lectures - Palestras Gifford -, na Escócia. São encontros onde o tema é a teologia natural, um modo de se estudar a teologia não por experiências ou revelações místicas, mas sim pela razão e a experimentação.

No capítulo seis, "A Hipótese da existência de Deus", ele questiona certos aspectos racionais da existência ou não de Deus e foi aí que eu, ao ler esse capítulo, me deparei com ideias dele que tem a ver com o que escrevo sobre o relativismo religioso.

Então transcrevo abaixo, nas palavras dele, evidentemente, uma pequena parte do capítulo, onde marco frases e faço uma analogia com as minhas exposições sobre o assunto em diversos textos meus. 

“É grande a variedade de coisas em que as pessoas acreditam. Religiões diferentes acreditam em coisas diferentes. É uma caixinha de surpresas de alternativas religiosas¹. E claramente existem mais combinações de alternativas do que religiões, embora existam hoje alguns milhares de religiões no planeta. Na história do mundo, existiram provavelmente dezenas, talvez centenas de milhares, se pensarmos nos ancestrais coletores-caçadores, quando uma comunidade humana típica tinha cerca de cem pessoas. Naquela época havia tantas religiões quantos fossem os bandos de caçadores-coletores, embora as diferenças entre eles provavelmente não fossem tão grandes assim. Mas ninguém sabe, pois, infelizmente, não temos praticamente nenhum conhecimento sobre em que acreditavam nossos ancestrais na maior parte da história da humanidade neste planeta, porque a tradição do boca a boca não é a mais adequada, e a escrita não tinha sido inventada.

Assim, considerando essa variedade de alternativas, uma coisa que me vem à mente é como é impressionante que, quando alguém tem uma experiência religiosa que provoca sua conversão, é sempre para a religião ou para uma das religiões mais comuns em sua própria comunidade. Há tantas possibilidades... Por exemplo, é muito raro no Ocidente que alguém tenha uma experiência religiosa que leve à conversão para uma religião em que a principal divindade tenha cabeça de elefante e seja pintada de azul. Raro mesmo. Mas na Índia existe um deus azul de cabeça de elefante que tem muitos devotos². E não é tão raro assim ver imagens desse deus. Como é possível que a aparição de deuses-elefantes se restrinja à Índia e só aconteça em lugares onde haja forte tradição indiana? Por que as aparições da Virgem Maria são comuns no Ocidente, mas raramente ocorrem em lugares do Oriente onde não há tradição cristã pronunciada? Por que os detalhes da crença religiosa não ultrapassam as barreiras culturais? É difícil de explicar, a menos que os detalhes sejam totalmente determinados pela cultura local e não tenham nada a ver com algo de validade externa.

Em outras palavras, qualquer predisposição preexistente à crença religiosa pode sofrer poderosa influência da cultura local, não importa onde a pessoa tenha crescido. E, especialmente se as crianças forem expostas desde cedo a um conjunto específico de doutrinas, músicas, artes e rituais, a coisa fica tão natural quanto respirar, e é por isso que as religiões se empenham tanto em atrair os muitos jovens"³.

Comentários:
1 - Aqui está algo que todas as pessoas sabem. Mas neste blog, "O Relativismo Religioso - Como Eu o Vejo", (http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br), precisamente no meu artigo "O Relativismo das Religiões e o que Existe por Trás Disto", publicado em 19/03/2007, eu digo, logo nos primeiros quatro parágrafos, de uma circularidade patética se pessoas do Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo e Budismo, falassem, e sem precisar de detalhes, a cada uma delas de cada vez, sobre como são as crenças básicas de si próprias. Um cristão para um islâmico, deste para um hindu, deste para um budista e este chegando ao cristão. Imagine então se falassem de detalhes como ritos, dogmas e crenças.

O meio ambiente social cristão ensina aos seus filhos no que acreditarem e no que é certo e errado. E assim é com todos de todas as religiões, destas citadas por mim, de outras pelo planeta e aquelas que já não existem mais. Sempre foi assim e sempre será. 

O Deus cristão, o deus islâmico Alá, os muitos deuses do hinduísmo e a concepção mais filosófica do universo segundo o budismo são todos diferentes entre si e cada uma destas religiões julgam serem as suas verdades como absolutas e, as outras, pagãs, erradas. E há uma certa confusão entre o cristianismo e o islamismo, dizendo se tratar de Alá e Deus  como sendo o mesmo. Alá enviou mensagens ao profeta Maomé, através do anjo Gabriel, para que o livro sagrado, o Corão, fosse escrito. Já Deus é Pai de Cristo, sendo este o messias do cristianismo, e, para o Islã, Cristo é apenas um profeta em nível terreno, humano. Não se trata, de jeito nenhum, de um mesmo deus.

2 - Imagine se um cristão, aqui no Ocidente, dissesse que uma divindade aparecera para ele revelando como deveria agir, com a sua vida atual, conturbada por perdas materiais de extrema importância. Imagine então se ele a  descrevesse como sendo uma cabeça de elefante e azul! Vamos ser sinceros? Vamos ser verdadeiros? Seriam somente risadas, não é mesmo? O chamariam de louco, mentiroso ou ridículo. Aliás, todas as ditas aparições de santos, divindades, etc., que ouvimos falar desde as nossas infâncias, são de entidades cujas características são aquelas em que aprendemos em nosso meio ambiente social, ligadas ao cristianismo, ou seja, aparece somente aquilo que aprendemos. 

Aí está um grande exemplo de como as pessoas julgam o que acreditam, pois assim aprendem serem verdades absolutas, mas, se pensarmos melhor, são relativas, são de origens locais, ou, no máximo, que vieram de longe, mas obtiveram adeptos o suficiente para se perpetuarem no meio ambiente social delas.

Eu trato deste assunto em praticamente todos os artigos neste blog.  Tenho até dois, em especial, que se chamam "Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro" e "O meio ambiente social na formação das crenças religiosas", sem falar no meu texto principal, o início do blog, "Texto Introdutório: as bases de como eu vejo o Relativismo Religioso".

3 - Carl Sagan usa sabiamente a expressão "a coisa fica tão natural quanto respirar" para dizer da influência dos valores religiosos se forem ensinados às crianças, desde muito cedo.

No meu texto "Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro", eu digo: "Veja os valores religiosos: informações chegam a uma criança, no próprio meio ambiente social, às dezenas, centenas, sempre, como fatos absolutos da religião local e, quando ela as memoriza e passa a senti-las, levando-a a uma ação ao receber um estímulo, elas estarão definitivamente concretizadas em sua mente. Na verdade os valores ficam com a criança como memórias de emoção. No decorrer da vida alguns [desses valores] podem mudar ou não, podem se intensificar, etc.". Até falo em uma maneira natural que acontece com todos nós em nossos meios, mas, imagine então se as crianças também estiverem sob uma educação religiosa com professores, com pessoas capacitadas para o ensino da religião local.  

A força da educação, da cultura local é muito poderosa. Ela atrai, influencia, muda comportamentos, porque ninguém nasce com a religião de sua cultura na cabeça. Não é como, por exemplo, o instinto de sobrevivência, o medo, a agressividade, que são natos. 

Sagan foi muito corajoso em dizer "... é por isso que as religiões se empenham tanto em atrair os muitos jovens". Elas sabem da importância da educação religiosa para as crianças, tanto é que ele fala no trecho: "a coisa fica tão natural quanto respirar". Ou seja, com a cabeça "feita", está "feita" para sempre! Exceções não contam porque são raríssimas. Falo de populações. 


Bibliografia:


SAGAN, Carl. Variedades da experiência científica: uma visão pessoal da busca por Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 171-172.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Consciência, amor-próprio, fé e transcendência

"Proposta: este artigo tem como objetivo explicar cientificamente por que existe o sentimento de fé e por que nós, seres humanos, temos a capacidade, através do nosso cérebro,  de transcendermos a matéria e a energia comuns, em pensamento e imaginação, sem que necessariamente existam entes divinos e/ou espirituais em outro (s) 'plano' (s). Na verdade, conseguimos imaginar que existe outro mundo, outra realidade, além deste nosso mundo físico e onde estariam supostos seres espirituais e/ou sobrenaturais. Mas seria só imaginação."

Todos os nossos sentimentos serviram à evolução para para que a espécie humana não fosse  extinta aqui na Terra. E existe uma base sólida de conhecimentos atuais, da Neurociência com A Teoria da Evolução, para fazer uma afirmação destas. Ver os meus artigos:
 "O Porquê dos Nossos Sentimentos"¹  - ( http://www.cerebromente.org.br/n14/opinion/material3.html ) e "O Porquê dos Nossos Sentimentos - II"² -  ( http://www.cerebromente.org.br/n15/opiniao/sentimentos2.html ).

No reino animal existe o instinto de sobrevivência, o instinto de autopreservação, em que os animais respondem a alguma agressão do meio ambiente ou de outros animais, para sobreviverem. As primeiras formas de vida na Terra, seres unicelulares, por volta de 3,8 bilhões de anos, já apresentavam alguma forma de reação de autopreservação. Por exemplo, ao detectarem uma fonte de calor e se movimentarem no sentido oposto daquele do aumento da temperatura, já era um fator de sobrevivência. A crescente complexidade, no tempo, dos seres vivos, exigia cada vez mais comportamentos complexos para lidarem com meios ambientes novos ou em transformação. E assim fez-se necessário também o aparecimento de um sistema nervoso evolutivo conforme as necessidades e adaptações dos organismos.

Podemos pensar o seguinte: de seres unicelulares até os mais complexos da atualidade, nós, os humanos, a natureza produziu, de simples atos reflexos para reações de sobrevivência, que são comportamentos, até o sistema nervoso mais complexo que existe para dotar-nos da maior variabilidade de comportamentos possíveis para a nossa sobrevivência. Nosso sistema nervoso é portador do órgão mais complexo que existe, com os mecanismos superiores da inteligência, emoções, sentimentos e a consciência: o nosso cérebro.

Nossa variedade de comportamentos através da inteligência, produzida pelo cérebro, nos faz adaptarmos a qualquer ambiente terrestre, porque, inclusive, construímos tecnologia para tanto (no caso de lugares de frio ou calor intensos). E a consciência entra nessa história como uma grande "contribuição" à inteligência porque muito do que pensamos e agimos possui a marca constante do "eu". Como eu disse no blog "Neurociência e Consciência" - www.neuconblog.blogspot.com.br -, "Nós a utilizamos sempre: (eu) farei isto; (eu) não quis realizar tal tarefa; ((eu) preferi fazer outra); (eu) quero ir àquele lugar, etc.".

O neurocientista português António Damásio defende a tese de que a consciência vem de "um sentir", um sentimento, mas de um conhecimento, como eu explico também no blog do parágrafo acima. Em três livros, "O erro de Descartes", "O Mistério da Consciência" e  "E o Cérebro Criou o Homem", Damásio argumenta essa tese baseado em mais de trinta anos de estudos e pesquisas em laboratórios, sendo, atualmente, a maior autoridade no assunto. De qualquer maneira existe algo de racional na consciência porque o sistema, o cérebro, volta-se a si mesmo, reconhece e pensa sobre si e sobre o corpo ao qual pertence.

Mas será que para o cérebro humano, um órgão tão avançado como ele é, produtor de tanta variedade em termos comportamentais, bastariam apenas alguns mecanismos de defesa, de autopreservação, agressividade - que a essa altura já é uma emoção -, por exemplo, para preservar a espécie que o contém? Não. Foi necessário algo muito mais refinado, avançado também: o amor-próprio. Ele seria o ápice de um sistema necessitado de conservação, proteção etc., ou seja, tudo o que é ligado ao corpo e a ele mesmo para sobreviver.

E a fé que falo no título deste blog?

Existe uma confusão muito grande com respeito à fé e às crenças. As pessoas acham só existe a fé se houver crenças, mas alguém pode não possuir crenças e ter fé, fé em si mesmo, no próprio potencial, na vida etc. A fé é um sentimento poderoso porque é o acreditar, o acreditar em nossas possibilidades etc.

As religiões são um conjunto de ideias e crenças, surgidas em um local específico no planeta - uma região, um povo etc. -, e que são ensinadas às crianças desde cedo. Há variações em interpretações das ideias, das próprias crenças com o passar do tempo, há divisões, há expansões para outros povos etc.; e você sabe, seriam necessárias bibliotecas e mais bibliotecas gigantescas para conter tudo o que o ser humano criou neste sentido. Mas algo é certo: os sentimentos das pessoas são "canalizados", por falta de uma palavra melhor, para as crenças das suas religiões locais e essas crenças se tornam verdades absolutas para cada uma das pessoas. Elas passam a ter fé nos entes e nos ensinamentos dessas religiões.

Mas por qual razão surgiram as ideias e crenças de cada povo?

E aqui está o verdadeiro motivo deste artigo. Precisei discorrer sobre amor-próprio, consciência e fé para chegar onde eu queria.

Como um ser inteligente, consciente de si e do mundo a sua volta, e dotado de amor próprio, iria lidar com questões existenciais profundas como: de onde viemos, porque estamos aqui, de onde veio tudo o que vemos e sentimos, e, para onde vamos?

Imagine o seguinte cenário: pré-humanos vendo pré-humanos nascerem e morrerem. Cresciam mas poderiam morrer a qualquer hora. Para onde iriam? O que aconteceria depois?

Que angústia seria acometida a nossa espécie sendo que o próprio amor por si mesmo corroboraria com a não aceitação desse fato? Que conflitos e perturbações internas surgiriam dentro da maquinaria cerebral desses seres? E estou simplificando porque o número de sentimentos e emoções em situações dessas seria muito grande. Acredito que o cérebro não funcionaria direito.

Desde que o cérebro dos pré-humanos se tornou o mais próximo do nosso, ele teria que ter, na combinação de consciência e amor-próprio, a fé e o poder de transcendência, de conseguir abstrair entes divinos, formular crenças, de conceber uma "vida após a morte" etc., com, a propriedade de ter fé neles, de acreditar com uma grande dose de carga emocional. A consciência e o amor-próprio iriam talvez causar um impasse à evolução do nosso cérebro e que fora resolvida com o aparecimento da fé e da transcendência.

Falar em uma moderna Teoria da Evolução é acrescentar também as vantagens que a racionalidade e os sentimentos proporcionaram ao cérebro, a nós humanos. Raciocínio, dedução, indução, estratégia, abstração, lógica etc., no campo da racionalidade, já são difíceis de explicar aos leigos do porquê de suas existências conforme a Teoria da Evolução; imagine então sentimentos e sentimentos profundos como o amor-próprio e a fé.

O biólogo russo Theodosius Dobzhansnky (1900/1975) disse certa vez com muita propriedade, como um dos maiores biólogos do século XX, a frase: “Nada em biologia faz sentido senão sob a luz da evolução”. E o cérebro é uma máquina biológica, um órgão biológico.


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Notas:


2) - in english: “Our feelings. Why do we have them? (II)”




Outros artigos relacionados com este blog em:

                                                                 
"O Relativismo Religioso" - como eu o vejo"
http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/


"Neurociência e consciência"


"Sistemas, evolução e neurociências"
http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/


"O acreditar e a fé como vantagens evolutivas"
http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/


"Psicologia Evolutiva - Uma visão básica sobre o assunto"
http://psicoevolutiv.blogspot.com.br/



"Neurociência, psicologia evolutiva e religiões"

segunda-feira, 18 de março de 2013

Texto geral

Este texto inicial é um resumo do que eu digo em todos os artigos deste blog. Defendo as seguintes ideias: cada religião toma para si as suas crenças como verdades absolutas, desprezando as crenças das outras e ainda as chamando de pagãs. Isto é fato. O meio ambiente social do indivíduo é quem irá influir nas crenças de cada um. Por exemplo: ninguém nasce com o deus cristão na cabeça, Alá, o deus muçulmano, os muitos deuses do hinduísmo, xintoísmo, etc.

Mas o que existe de absoluto mesmo é a capacidade de nós humanos em acreditarmos, possuirmos fé, e, por quê? Veja, ninguém sobreviveria sem acreditar em algo superior que os formou, que criou o universo, a fauna e a flora do planeta, o que existe após a morte etc. Seríamos acometidos de um vazio existencial a colapsar nossas mentes com angústias, ansiedades, depressões etc.

Mas, e os descrentes? Bem, eles acreditam em si próprios! Possuem fé, mas não crenças. Sem esse sentimento eles não buscariam objetivos, nada valeria a pena, ou seja, suas mentes e suas vidas não resistiriam.

Esse acreditar e a fé, natural de nós, humanos, vêm do próprio funcionamento cerebral do sistema límbico (emoções, sentimentos) e do córtex (a parte racional), se não o sistema mais complexo que existe, o cérebro, não iria funcionar direito. Eles foram adquiridos por nós através da evolução para que a nossa mente não entrasse em colapso significando a sobrevivência da própria espécie. É o transcender, em "pensamentos", do nosso mundo material, incluindo sentimentos.

Uma criança vem ao mundo com o cérebro limpo de informações e da cultura do seu país de nascença. Esse meio ambiente, incluindo além dos pais e escolas, irá ensinar o que existe de sobrenatural, para ela exercer a sua religião que é a mesma de todos ali. Claro que ela poderá um dia mudar de crenças, mas mesmo assim ela levará ainda muito do que aprendeu na infância e adolescência para o resto da vida.

Todos os povos que já existiram inventaram religiões e crenças desde que o ser humano fora dotado de inteligência, consciência e de um lado sentimental-emocional. Por volta de 60.000 como está no livro "Da Natureza Humana", de Edward O. Wilson. Este autor cita o medo da morte e o que vem depois como uma das principais causas de se inventar tantas religiões. Podemos falar também em questões como: o que fazemos em nosso mundo, qual o significado de nossas vidas, existe uma única razão para estarmos aqui? Se os seres humanos não possuírem a capacidade de "invocarem" as respostas dessas questões a algo superior, suas mentes entrariam em colapso.




   Blogs:



O meio ambiente social na formação das crenças religiosas

Este artigo é um complemento necessário para todos aqueles presentes neste blog. Ele é de sentido geral no que diz respeito ao saber sobre, além do meio ambiente natural, sobre o meio social, que forma indivíduos, valores, regras de comportamentos, caráter, personalidade e, ao que mais interessa aqui, a formação das crenças religiosas nas pessoas.

Em meu artigo "O paradoxo dos gêmeos religiosos", neste blog, eu cheguei brevemente a entrar no assunto, mas senti a necessidade de um texto voltado só a este tema.

A grande maioria das pessoas não sabe como é de verdade a Teoria da Evolução e seus mecanismos. No exemplo simples de se falar em mudanças no meio ambiente com seleção natural dos mais aptos já complica tudo. Imagine então falarmos no cérebro, na evolução do sistema nervoso. Fica ainda mais difícil falar que todos os nossos sentimentos "serviram" à evolução¹, e a fé, por ser um deles, é força de base das crenças onde estas são relativas, dependem de onde as pessoas nasceram, cresceram, tiveram as suas educações e formação das suas personalidades.

Então, primeiro temos a fé, o acreditar, como sentimentos "brutos". Conforme crescemos vamos aprendendo com os nossos pais, amigos, escolas, a igreja, enfim, o nosso meio ambiente social, sobre valores religiosos. Pessoas que nasceram no Brasil em famílias cristãs e católicas e aprenderam, como a maioria dos amigos, parentes etc., sobre Deus, Cristo, a Bíblia, a redenção, os Dez Mandamentos, etc., passarão, de uma hora para a outra, a crer e terem fé em valores de outras religiões, nelas mesmas e algumas politeístas como o hinduísmo? Não! Algumas pessoas até mudam de religião, mas aí podemos falar em um fato estatístico: os 2,3 bilhões de cristãos no mundo se tornarão hindus de uma hora para outra? E os 1,2 bilhões de hindus se tornarão cristãos? Falo no número total de seguidores ou na grande maioria e, por isto, são exceções, pouca gente, não se leva em consideração porque são casos isolados.

Aí vem outra questão: pessoas cristãs, que foram ou que são felizes por praticarem o cristianismo, poderão ser somente elas realizadas espiritualmente?².  Não! Da mesma forma, pessoas hinduístas, e não só elas, mas também islâmicos, budistas, xintoístas, etc., poderão ser apenas elas felizes e realizadas espiritualmente? Não! E cada uma dessas religiões considera as próprias verdades como absolutas, e, sobre as outras, as chamam de pagãs, mesmo se houver respeito entre elas.

Mas cada pessoa destas religiões foi criada em um meio ambiente social em que aprendeu as verdades da religião local de forma absoluta como eu disse no terceiro parágrafo... Os sentimentos delas foram direcionados, canalizados a aceitarem, respeitarem, a acreditarem no que essas religiões passaram em forma de ritos, informações, conceitos, dogmas, etc., ou seja, em toda uma forma de educação religiosa. E quando digo sentimentos direcionados, quero dizer o seguinte: primeiro você ensina a uma criança sobre a religião (a sua local, claro), as crenças, as "verdades", etc. Depois ela, acreditando e confiando nesses ensinamentos, passa a ter fé no que aprendeu; segue a religião local com devoção, veneração.

E as primeiras crenças dessas religiões que cito neste texto de onde vieram? Da eterna busca do ser humano por respostas sem soluções imediatas até hoje: quem criou tudo a nossa volta? Quem somos nós? Para onde vamos após a morte? Há vida depois da morte? Isto tudo em todo o mundo e em todas as épocas. Não é à toa que já se registraram mais de sessenta mil religiões e seitas em nossa história pelo planeta. E qual seria o meio ambiente social quando dessas primeiras crenças? Havia algum? Qual (s) seria (m)?

Sim, havia; eram nossos antepassados que passaram da época de caçadores-coletores, grupos de pessoas, a tribos e depois para algo mais parecido com a estrutura das cidades de hoje. Eles também se perguntavam, filosofavam e formulavam respostas  sobre essas questões existenciais. Mas não era só isto: a moral, a ética, regras, etc., tomavam corpo junto com as crenças. O que não são "Os Dez Mandamentos" como também algo para se tentar viver melhor em sociedade? "Não roubarás, não matarás...". Há cerca de sessenta mil de anos atrás, o ser humano já se preocupava com o "além da morte", como mostram registros arqueológicos de um funeral do homem de neanderthal. Se se preocupavam em realizar funerais é porque também meditavam sobre outras questões de suas existências.

A odisseia do homem no planeta veio acompanhada de tentativas de respostas a essas questões profundas desde o dia em que ele mesmo tomou consciência de si e do mundo a sua volta. Quem sou eu, o que faço aqui e o que é tudo isto ao meu redor, quem é o outro, certamente deu início a tudo o que viria depois: crenças, religiões, a ética, a moral, as regras de comportamento, etc.

Somos, em grande parte, fruto do meio em que vivemos. Meio ambiente social.


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Notas:

1 - Ver os meus artigos na revista eletrônica "Cérebro&Mente" - "Brain&Mind" - www.cerebromente.org.br -, de neurocientistas da UNICAMP - Campinas - Estado de São Paulo - Brasil:

"O Porquê dos nossos Sentimentos"

"O Porquê dos nossos Sentimentos – II”

Estes artigos estão também em:


2 - Neste texto digo "espiritualmente", mas, na realidade, é tudo psicológico, emocional, fenômenos estudados pela Psicologia, Psiquiatria e a Neurociência.