segunda-feira, 19 de março de 2007

O Relativismo Religioso e o que existe por trás disto

Cristianismo: a religião cristã. A maior do planeta com cerca de 2,2 bilhões de adeptos. Nela, Jesus Cristo é Filho de Deus e a Bíblia o livro sagrado onde Eles ensinam Suas palavras e Suas vontades a Seus seguidores.

Islamismo: a religião muçulmana. Com um número aproximado de 1,3 bilhões de adeptos, Alá é o seu deus e Maomé o seu profeta. O Corão é o livro sagrado no qual o anjo Gabriel revelou a Maomé os ensinamentos e as vontades de Alá. Para os muçulmanos Jesus é apenas um profeta em nível terreno e humano. Diga a eles que Cristo é filho de Deus e você será motivo de gozação!

Hinduísmo: aproximadamente 900 milhões de seguidores. Cultuam um grande número de deuses e deusas como Brahma, Shiva e Vishnu. Shiva destrói o universo enquanto Vishnu dorme boiando em um oceano. Brahma, montado em uma flor de lótus, nascida no umbigo de Vishnu, reconstrói o universo. Existente há mais de quatro mil anos, o hinduísmo é diferente e muito do cristianismo e do islamismo. Não há um livro comum ou um conjunto de textos comuns seguidos pelos hindus, embora os Vedas e o Bhagavad Gita sejam bastante populares. Diga a um hindu que Alá é um deus e você será motivo de gozação!

Budismo: possui entre 300 e 400 milhões de adeptos e se desenvolveu a partir de Sidarta Gautama, o Buda. As escrituras e ensinamentos budistas são complexos e variados, mas existe uma Lei de “Originação”. Dependente onde todos os fenômenos do universo estão ligados entre si em uma infindável cadeia de interdependência. O budismo não reconhece nenhum deus criador, onipotente, onipresente e onisciente. Diga a um budista da tríade Brahma, Vishnu e Shiva como os agentes criadores e destruidores do universo que você será motivo de gozação! E também será motivo de gozação se disser a um cristão sobre a negação budista de um deus criador!

Essas são as quatro religiões com os maiores números de adeptos no mundo inteiro. Não estou criticando certas "verdades" de cada uma, apenas, e isto não é pouco, mostro o quanto de ridículo pode existir se confrontarmos algumas ideias ou preceitos de cada uma entre seus seguidores. E coloquei em sequência partindo do islamismo estranhando o cristianismo, até este sendo ridicularizado pelo budismo. Uma circularidade patética devido às crenças de cada uma, ridicularizando as outras com suas ideias absolutistas. E eu poderia cruzar cada um deles com os outros que a mesma estranheza apareceria.

Qual dessas religiões está certa em crenças, princípios e dogmas, etc. E quanto às outras existentes?

Edward Wilson, um dos criadores da sociobiologia, relata em seu livro “Da Natureza Humana” que os homens criaram até hoje mais de 60.000 seitas e religiões. E podemos dizer sem dúvida alguma que acharíamos adeptos em todas elas com a mesma carga emocional de fé que adeptos das quatro citadas acima. Não é porque, por exemplo, o cristianismo, sendo predominante em países avançados tecnologicamente e financeiramente, está correto em princípios e ensinamentos do que uma seita indígena acreditando em deuses das florestas, rios céu, terra, etc. Encontraríamos índios com a mesma intensidade de fé em seus deuses como um grande sacerdote católico acredita no Deus cristão.

Então, em resposta à pergunta do parágrafo mais acima, posso dizer: nenhuma está correta em relação à outra. E não adianta proferir aquela frase tão comum por aí: “as religiões se referem a um mesmo deus”. Existe o hinduísmo politeísta e o budismo sem nenhum deus. E a maioria das religiões até hoje foram politeístas!

O que existe é uma relatividade enorme entre elas. E de absoluto a capacidade do homem em sentir e acreditar! E aqui está o propósito deste artigo.

Em outro artigo meu, “E o homem criou Deus”, neste blog, falo da necessidade biológica do ser humano em acreditar em algo imaterial, maior que ele, para não se sentir sozinho, indefeso e com um grande vazio dentro de si. As forças evolutivas tiveram que criar uma “muleta” emocional sem a qual o cérebro, consciente de si e do corpo que comanda, pereceria com esse vazio angustiante.

Falo de um sistema racional e emocional indo além de um sistema lógico.

Edward Wilson diz que o medo da morte e o que poderia vir ou não depois dela fora o principal motivo do homem criar tantas seitas e religiões. Elas inventam um mundo “pós-vida”.

E vou além. Todo ser vivo, consciente de si no universo, seria fraco demais se não houvesse essa “muleta” emocional a garantir sua sobrevivência.


Claro, estou falando de Darwin.

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